<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022</id><updated>2011-04-21T12:22:00.837-07:00</updated><title type='text'>Umbigo </title><subtitle type='html'>Fazer amigos</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>37</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-107459726222036981</id><published>2004-01-20T03:14:00.000-08:00</published><updated>2004-01-20T03:15:48.093-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>XL.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mão que embala o queixo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz já praticava o gesto na foto que exibia no semanário de onde veio («O Independente») e agora reincide no semanário em que se estreou há pouco («Expresso»). Referimos obviamente ao filósofo político João Pereira Coutinho. O gesto? &lt;br /&gt;Rodin, evidentemente. Ou, talvez mais apropriado, Gabriel, o Pensador. O gesto do jovem pensador é o de um olhar altivo e, claro, de mão pousada no queixo. Meditativo. Talvez se trate de um problema com o fechamento do maxilar ou de uma cárie mal tratada por um médico indiano (estagiário) do Princess Diana Dental School de Oxford, que a bolsa da FCT, além de imerecida, não dava para mais. Cremos, todavia, que se trata apenas - e tão só - de um problema de pose: a mão, fechada, ampara o queixo e o polegar fica levemente retraído, a tapar a papada que desponta. O quadro geral é o de alguém que pensa nas coisas. Enfim, o retrato de um perfeito imbecil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prova documental. Um trecho: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Prossegue o drama de Aveiro: sete mulheres julgadas pela prática de aborto, juntamente com maridos, namorados, um médico e duas empregadas. Posição pessoal? O aborto não deve ser descriminalizado. E estas mulheres não deviam ser condenadas. Uma contradição? Não creio. É possível estabelecer uma linha geral sobre aquilo que uma sociedade civilizada considera como moralmente aceitável. E é possível, perante casos concretos, exibir uma sensibilidade sobre a matéria que não passa por uma condenação em tribunal».  (a tirada veio no último «Expresso»)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente, lá teria de vir o fadinho da «sociedade civilizada», não fora o rapaz discípulo dessa outra figura do imbecilismo nacional que dá pelo nome de João Carlos Espada (um menino  que ainda em meados dos anos 80 era de esquerda e agora recomenda como leitura de Natal o livrito desse liberalão que é o Pde. João Seabra). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vamos ao que interessa: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1º - O rapaz da mão do queixo (que saudades dos neo-realistas dos sacos de cimento e das bicicletas!) não diz aos estúpidos que não leram Isaiah Berlin o que é isso duma «linha geral sobre aquilo que uma sociedade civilizada considera como moralmente aceitável»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2º - O rapaz da mão do queixo não responde ao mais importante: porque é que o aborto deve ser criminalizado? Ele acha que deve ser («O aborto não deve ser descriminalizado») mas não explica porquê. Porque não é «moralmente aceitável» numa «sociedade civilizada»? Mas então o rapaz (que cultiva a mão no queixo e o liberalismo) não sabe que um dos pressupostos clássicos do liberalismo é a distinção entre a esfera do direito e a esfera da moral? Falando em «esferas», ajudá-lo-ia uma leiturazita do Michael Walzer. Ou já agora o célebre Relatório Wolfenden, sobre a (não) incriminação da homossexualidade e da prostituição, que foi publicado numa altura em que este miúdo ainda não tinha nascido.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3º - O rapaz da mão do queixo, obviamente, não sabe do que fala. Não conhece o processo. Não sabe se existiam atenuantes, agravantes, etc. Não sabe que um juiz não pode «exibir uma sensibilidade sobre a matéria» se no processo os arguidos não lhe tiverem dado razões para isso, com atenuantes e outras coisas que naturalmente não estão nos livros de Popper. Não sabe que uma «justiça do caso concreto» não pode sistematicamente desrespeitar o que está nos códigos, por maior que seja a «sensibilidade» dos magistrados, sob pena de se criarem coisas como umn «governo de juízes». Se a lei pudesse ser ultrapassada à mercê da «sensibilidade» dos juízes, a benefício de uma «jurisprudência do coitadinho», os fundamentos da «sociedade civilizada» (a sociedade que só escreve a tinta permanente e usa casacos de «tweed») iriam para onde este nosso pensador merece ser despejado: a cloaca. A posição de quem faz e desfaz as leis (e que, por acaso, foi escolhido pelo povo, pormenor que não parece atemorizar o rapaz que agarra o queixo) seria destruída.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4º - Mais importante: neste «caso concreto», os juízes não deveriam ter condenado. É essa a posição do pensador Coutinho. E, detalhe de somenos, como decidir outros «casos concretos»? Mostrar-se-ia sempre «sensibilidade», atirando para o caixote do lixo «a linha geral sobre aquilo que uma sociedade civilizada considera como moralmente aceitável»? Ou condenar-se-iam os arguidos, reabrindo noutros lugares aquilo a que o Sr. Coutinho qualifica como «o drama de Aveiro»? Entre a «linha geral» e o «drama de Aveiro» balança o nosso &lt;em&gt;jeune philosophe&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;young philosopher&lt;/em&gt;). Com este balanço, tem mesmo de pôr a mão nos queixos. Para agarrar uma cabeça tão vazia quanto petulante.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-107459726222036981?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/107459726222036981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/107459726222036981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2004_01_01_archive.html#107459726222036981' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-107338925793134866</id><published>2004-01-06T03:40:00.000-08:00</published><updated>2004-01-06T03:42:09.546-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>XXXIX. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frases de 2003, eleitas pela redacção deste blog&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nacional - «Boa noite, Felgueiras, Boa noite, Portugal. Eu não fugi à justiça» (Fátima Felgueiras, a abrir conferência de imprensa no Rio de Janeiro. Frase verídica)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Internacional - «Não tive quaisquer contactos e nem sequer conheço pessoalmente o Snr. Carlos Silvino» (primeiras declarações de Saddam Hussein ao ser detido para averiguações nos arredores de Tikrit. Frase não verídica, mas possível, até porque, como diria EPC, o verídico não circunscreve as fronteiras do possível)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-107338925793134866?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/107338925793134866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/107338925793134866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2004_01_01_archive.html#107338925793134866' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-107338890380570704</id><published>2004-01-06T03:35:00.000-08:00</published><updated>2004-01-06T03:36:15.500-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>XXXVIII. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presente «blogue», associado ao Snr. José Vilhena e ao destacável «Inimigo Público», vem por este meio mostrar a sua indignação pela concorrência desleal que, no que toca ao &lt;em&gt;nonsense&lt;/em&gt;, lhe é movida pelo semanário Expresso, cuja última edição noticiava a possibilidade de o distinto causídico Manuel Maria Martins vir a patrocinar o Snr. Saddam Hudai Hussein em causa que corre os seus termos no DIAP de Tikrit. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-107338890380570704?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/107338890380570704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/107338890380570704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2004_01_01_archive.html#107338890380570704' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-107338847043180619</id><published>2004-01-06T03:27:00.000-08:00</published><updated>2004-01-06T03:29:02.216-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>XXXVII. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque é que mandaram este homem embora? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cunha Rodrigues, ouvido sobre o processo Casa Pia, disse viver-se um «momento complexo» da justiça. E acrescentou: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Nas depressões impõe-se que as elites elevem o seu discurso, porque o que se eleva converge»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pergunta-se, de novo: porque é que mandaram este homem embora?   &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-107338847043180619?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/107338847043180619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/107338847043180619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2004_01_01_archive.html#107338847043180619' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-107149792086369258</id><published>2003-12-15T06:18:00.000-08:00</published><updated>2003-12-15T06:19:31.170-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>XXXVI. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os familiares do poeta Sebastião Alba e a personagem «Bicas» da novela «Olhos d'Água», encarnada pelo actor Manuel Cavaco, vêm por este meio declarar que o sujeito ontem capturado na localidade de Tikrit &lt;strong&gt;NÃO É&lt;/strong&gt; qualquer uma das personalidades acima referenciadas. &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-107149792086369258?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/107149792086369258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/107149792086369258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_12_01_archive.html#107149792086369258' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-107149778600120802</id><published>2003-12-15T06:16:00.000-08:00</published><updated>2003-12-15T06:17:16.326-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>XXXV. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bolsa de apostas de Londres está a aceitar, à razão de 1/1000000, que o &lt;em&gt;Expresso&lt;/em&gt; na sua já tradicional edição-fim-de-ano-só-com-fotos-que-a-malta-foi-de-férias irá eleger: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontecimento nacional do ano: Processo Casa Pia&lt;br /&gt;Figura nacional do ano: juiz Rui Teixeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se nos enganarmos, prometemos que fechamos este blog.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-107149778600120802?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/107149778600120802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/107149778600120802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_12_01_archive.html#107149778600120802' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-107149757366247121</id><published>2003-12-15T06:12:00.000-08:00</published><updated>2003-12-15T06:13:44.046-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>XXXIV. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O empresário Diogo Vaz Guedes, animandor do Congresso de jovens gestores «Compromisso Portugal», acaba de vender a sua empresa, a segunda maior construtora nacional, a um grupo espanhol. Por esse motivo, informa que o Congresso, cuja realização se prevê para Janeiro de 2004, passará a intitular-se «Compra-me isso Portugal».   &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-107149757366247121?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/107149757366247121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/107149757366247121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_12_01_archive.html#107149757366247121' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-107149399291582139</id><published>2003-12-15T05:13:00.000-08:00</published><updated>2003-12-15T06:20:58.543-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>XXXIII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximando-se a tradicional quadra dos mortos na estrada, aqui fica a mensagem de Natal (de 1978) do Pde. Mário de Oliveira (o famoso pároco da Lixa). Extractos: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«(...) Maria de Nazaré que o Natal revela atenta ao movimento dos oprimidos e explorados de todo o mundo na demanda pela liberdade e pela justiça, e toda ela, por isso, canta entusiasmada as pequenas e as grandes vitórias por eles alcançadas, aqui e ali, desde o Egipto dos faraós à Nicarágua de Somoza; ao contrário de Maria de Nazaré que aposta que os poderosos serão derrubados e os ricos despedidos de mãos vazias, a maior parte do Povo português, há séculos dominado pela nefasta influência da Cristandade ocidental, materializada sobretudo na função mítica dos arcebispos, bispos e abades, é levado a viver subserviente frente aos senhores e patrões (...).&lt;br /&gt;Ao contrário de Maria de Nazaré que vê no filho nascido das suas entranhas e anteriormente concebido por força de um Projecto alternativo ao do Poder opressor, o libertador e salvador do seu Povo e até de todos os povos caídos ainda na alienação; que, por isso mesmo, é capaz de O acompanhar e reconhecer, quando Ele, homem feito, foi perseguido e morto pelo Imperialismo romano, em conluio com os latifundiários nacionalistas da Judeia, como se fosse um chefe de guerrilha». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; (in Mário de Oliveira, &lt;em&gt;Cristãos por uma Igreja Popular&lt;/em&gt;, Centela, 1983, pág. 97). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-107149399291582139?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/107149399291582139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/107149399291582139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_12_01_archive.html#107149399291582139' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-107105504690645483</id><published>2003-12-10T03:17:00.000-08:00</published><updated>2003-12-10T03:18:12.216-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>XXXII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provavelmente, a frase mais pirosa do ano que finda. Do editor da revista «Única» do semanário &lt;em&gt;Expresso&lt;/em&gt;, erm 6 de Dezembro de 2003. E com destaque: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«O Mundo está diferente. Maria José Morgado também»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poder-se-ia acrescentar, singelamente: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«E o &lt;em&gt;Expresso&lt;/em&gt; está cada vez mais uma bela merda»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-107105504690645483?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/107105504690645483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/107105504690645483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_12_01_archive.html#107105504690645483' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-107055534630792461</id><published>2003-12-04T08:29:00.000-08:00</published><updated>2003-12-05T07:20:16.343-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>XXXI. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem julgar que este blog anda a descambar na ordinarice, avisa-se maior atenção à realidade. Na já referida edição nº 1308 da prestimosa publicação &lt;em&gt;Maria&lt;/em&gt;, Marluce, ex-mulher de Carlos Cruz, explica a acrimónia da estação televisiva TVI e da apresentora Manuel Moura Guedes contra o arguido Cruz: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«O que o Carlos teve com a Manuela Moura Guedes foi uma noite única. Nessa altura eu namorava o Carlos e ela estava noiva do primeiro marido, o Francisco. O Carlos era muito mulherengo, mas só soube do caso mais tarde (...). Aquela noite deixou-lhe (Manuela Moura Guedes) muitos traumas na certa. Ela está louca. É por isso é que está virada contra o Carlos». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que lhe terá «o Carlos» feito nessa «noite única»? Que «trauma» deixou na opinativa Guedes? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tímida proposta de solução do impasse: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Fica pela presente notificada a Drª Manuela Moura Guedes para se apresentar no Instituto de Medicina Legal de Lisboa (IML) no próximo dia 12 de Dezembro, pelas doze horas, com vista à realização de perícia médico-legal. Pode fazer-se acompanhar de guarda prisional do EPL para a realização da diligência, que não durará mais do que cinco minutos».   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;XXX. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A forma é importante. Vejamos como a irrequieta revista &lt;em&gt;Maria&lt;/em&gt;, nº 1308 apresenta a seguinte notícia: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Carlos Cruz tem passado tormentos no EPL. Há pouco, um guarda prisional forçou-o a ficar nu voltado de costas, só para ver se não trazia nada escondido no ânus. A "revista" durou cinco minutos e nada foi encontrado. Embora faça parte do "trabalho normal" dos guardas, Cruz não gostou». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É notável a forma, a forma como se condensa tanta e tão relevante informação em tão poucas palavras. Assim, fica o leitor a saber: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) Cruz foi forçado a ficar nu, voltado de costas; &lt;br /&gt;b) Durante cinco minutos, um guarda revistou-lhe o ânus; &lt;br /&gt;c) No ânus de Cruz nada se encontrou; &lt;br /&gt;d) Faz parte do "trabalho normal" dos guardas revistarem, durante cinco minutos, o ânus do arguido Carlos Pereira da Cruz; &lt;br /&gt;e) a última, e fundamental: «Cruz não gostou». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo, deduzirá o leitor, Carlos Pereira da Cruz não gosta que os guardas do Estabelecimento Prisional de Lisboa desempenhem aquilo que está no seu conteúdo funcional, que é, entre outras valências, passarem-lhe revista ao ânus por períodos não inferiores a cinco minutos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-107055534630792461?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/107055534630792461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/107055534630792461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_12_01_archive.html#107055534630792461' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-107053373630042200</id><published>2003-12-04T02:28:00.000-08:00</published><updated>2003-12-04T02:35:18.856-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>XXIX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clara, Clarinha, tu andavas a pedi-las. Desculpa ainda não teres sido servida neste humilde estabelecimento, mas, haverás de reconhecer, não é fácil lidar contigo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro problema: há um enorme abismo entre o que és (uma jornalista «que escreve bem») e o que gostarias de ser (um grande vulto da literatura). E tu sabes isso. A impiedosa Clara-cronista será sempre demasiado severa para com a virtual Clara-escritora. É esse o motivo pelo qual a retumbante novela que guardas há anos nas gavetas da tua imaginação jamais verá a luz do dia. É pena, porque com jeitinho talvez conseguisses escrever uma coisa parecida com o «Equador», para vender bem no Verão e levar para a praia. O teu drama é que querias um «Nostromo» ou uns bons «Karamazov» (2 volumes, tradução directa do bielorusso de Nina e Filipe Guerra, Lda.). Achas que, com o que já leste na vida, tens direito a não menos que isso. O teu talento é a tua tragédia. Com a fama que já tens, tudo o que escrevesses seria sempre «vocês têm o último da Clara Ferreira Alves? Não me lembro do nome». Resumindo: estavas três meses nos tops da Fnac e o resto dos teus dias na ignóbil poeira do esquecimento. Não é isso, em absoluto, o que almejavas. O teu sonho era escrever uma obra de génio numa mansarda tuberculosa de Dublin, vivendo do ar, cafés e cigarros, saindo directamente do anonimato para as páginas do &lt;em&gt;The Western Canon&lt;/em&gt;. O problema é que já és demasiado famosa para isso. Tens, portanto, de ir convivendo com personalidades literárias como o Dr. Pedro Miguel Santana Lopes para ganhares o que a tua pulsão consumista reclama. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo problema: a tua pluma é polifónica. Saltitas entre um número variado de registos, do género «colecção Anita» («Anita na Praia», «Anita, Grávida Adolescente», «Anita no Jardim Zoológico»,  «Anita Vai ao Circo», «Anita no Private Banking», «Anita e o Ouricinho-Cacheiro», «Anita e a Co-Incineração», «Anita no Ballet», «Anita e as Obrigações de Curto Prazo», «Anita Fuma a Primeira Ganza», «Anita na Montanha», «Anita Já Dá Para a Veia»).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, temos: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Clara, Íntima dos Grandes Escritores&lt;/strong&gt; - «nessas noites loucas do English Bar, em que o Zé Cardoso Pires, cigarro atrás de cigarro, falava a língua de trapos dos marinheiros de Conrad e me ensinava a distinguir as tonalidades dos maltes»; «foi então que o Al  Berto se pôs a uivar à porta do Frágil, comme un chien andalou»; «a Pilar deu um soporífero ao José e lá fomos as duas ver a última colecção da Prada e beber um copo num bar de &lt;em&gt;strip&lt;/em&gt; masculino com o nome inesquecível &lt;em&gt;La Vagina Hídrica&lt;/em&gt;»; «quando o Graham Greene me mirou com aqueles olhos aguados, censurando o meu mais do que óbvio agnosticismo, percebi que Ferreira Alves jamais seria um nome da literatura universal»; «um dos grandes privilégios da minha vida foi ter partilhado com John Le Carré, num incaracterístico bar de hotel das Docklands, a paixão do whisky com soda»; «isto depois da noite tempestuosa em que até de madrugada discuti os direitos humanos em Cuba com Gabo»; «de passagem por Lisboa, Dostoievski telefonou para o jornal à minha procura. Por azar, o meu telemóvel estava sem bateria»; «por vezes, a Sontag irrita-me. Aliás, é recíproco, segundo me disseram»;  «o José passou o fim de semana de cara fechada. A Pilar e eu, já tocadas por uns copitos de &lt;em&gt;Marquez de Riestra&lt;/em&gt;, Gran Reserva, começámos a disparatar. O José só mostrou os dentes quando, à hora do jantar, nos veio dar a notícia da TV, num sorriso aberto: "Mais um atentado no Iraque, morreram sete americanos". O rosto iluminou-se: "E tinham todos entre 18 e 22 anos de idade!"». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Clara, Repórter de Guerra&lt;/strong&gt; (esta mete sempre motoristas de táxi e crianças de olhos grandes) - «Abu, o meu fiel motorista («taxi, taxi, lady? Come with Abu!»), levou-me então ao campo dos refugiados. O campo das crianças mortas. Um menino de oito anos, a quem os soldados israelitas tinham tirado a &lt;em&gt;Playstation&lt;/em&gt;, olhou-me com a fundura de um ódio de séculos. O ódio que faz levantar muros. Muros de lamentos e sofrimentos, nesta terra eternamente martirizada por uma coisa a que chamam Deus»; «no fim do dia, todos nós, os correspondentes daquela guerra sem sentido, gostávamos de nos sentar à beira da piscina vazia do Walraff’s, a ouvir o som dos morteiros ao longe. O Walraff’s deve ser o único hotel do mundo que tem uma cratera de morteiro na parede do piano-bar. É um lugar onde me sinto bem».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Clara, urbano-depressiva&lt;/strong&gt; - «o velho sentado no banco do jardim era um farrapo, uma folha outonal que em breve iria ser varrida da existência humana, sem que ninguém desse por isso, sem ninguém se importasse com isso»; «Alice confessou-me que era  professora e via nos alunos que a insultavam e lhe cuspiam para cima o único escape que lhe restava para fugir aos intermináveis domingos da sua solidão»; «naquela inesquecível viagem de comboio para Turim, em que o casal de meia-idade à minha frente não trocou uma só palavra»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Clara, cidadã do mundo&lt;/strong&gt; - «confesso que fiquei embasbacada quando o Papa, virando-se para a Aura Miguel, perguntou se aquela senhorita ali ao fundo, a fumar &lt;em&gt;Partagas&lt;/em&gt;, era a Clara Ferreira Alves»; «cá estou de novo na esplanada do mesmo &lt;em&gt;resort&lt;/em&gt; de Bali, com as mesmas americanas obscenamente gordas e os mesmos mafiosos russos rodeados de guarda-costas com Uzis»; «saio de Las Vegas sem saudades daquela amálgama pornográfica de néon e turistas japoneses»; «na esplanada, olho com desprezo a multidão que seguia uma menina com um guarda-chuva amarelo. Agradeci a Deus não ter feito de mim uma turista. Como Chatwin, sou e serei sempre uma viajante».  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Clara, na intimidade&lt;/strong&gt; - «esta semana tive obras em casa. Em Portugal, obras em casa é sinónimo de uma aventura. Uma tempestade doméstica, enfim. Os canalizadores, que disseram que chegavam às nove (“esteja descansada, doutora!”), apareceram ao meio-dia, mal-encarados (“porra, cancelaram a conferência do Derrida na Culturgest!”)»; «fiz  uma coisa de que sempre me arrependo: arrumar os livros. Nestas ocasiões, encontro sempre uma edição perdida de Proust ou um Beckett que procurava há anos. Perco-me a folhear as memórias dos meus quinze anos, quando já tinha este complexo de superioridade e julgava que viria a ser uma escritora de expressão mundial – pretensão que, de resto, ainda não abandonei por inteiro».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clara-caprichosa, és tremendamente snob. Mas essa até te desculpamos. Todos sabemos que o snobismo é a forma de disfarçares a banalidade pequeno-burguesa do teu nome, de que te envergonhas. A tua petulante altivez esconde um drama profundo: tens um apelido compósito («Ferreira Alves») que parece marca de vinho branco para temperar a carne. Tara perdida.  &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-107053373630042200?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/107053373630042200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/107053373630042200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_12_01_archive.html#107053373630042200' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-106941354562745219</id><published>2003-11-21T03:19:00.000-08:00</published><updated>2003-11-21T03:19:32.043-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>XXVIII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Afinal, quem é o homem da bicicleta?&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na voragem mediática do escândalo Casa Pia, agora que o juiz Rui Teixeira, sedento de protagonismo, decidiu prender para averiguações o cançonetista albino Michael Jackson, passou despercebida a sensacional notícia da acção intentada pelo Professor Doutor Marcelo Nuno Rebelo de Sousa contra o Lic. Álvaro Barreirinhas Cunhal. No aludido processo judicial, o Professor diz ser Manuel Tiago e reclama os direitos de autor da obra «Até Amanhã, camaradas» (incluindo os &lt;em&gt;royalties&lt;/em&gt; da adaptação cinematográfica que, como se sabe, foi um êxito de bilheteira a nível mundial). Para provar a autoria da obra em causa, apresentou o Doutor Marcelo a seguinte prova documental: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«O peso externo do capital, representado pelas suas associações (CIP e ALA) é mais aparente do que real. Elas dão-lhe uma fachada «atraente » de democracia burguesa, até eventualmente avançada. A  realidade subjacente é outra: a maioria do capital (pelo menos, do grande capital) era e é muito reaccionária, aceitando a custo opções democráticas ocidentais conservadoras, mas já tolerando pouco até uma linha social-democrática.&lt;br /&gt;Como e quando agirá o capital interno (já que o externo actuará por outra via, a do desinteresse ou das pressões sobre a economia portuguesa) – essa uma questão que o &lt;em&gt;post&lt;/em&gt;-eleições poderá esclarecer (sobretudo se não triunfar nas eleições, como parece provável, uma orientação de seu agrado)».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São declarações do divertido Professor Sousa, prestadas em 1975 aos jornalistas Almeida Martins, Cáceres Monteiro e João Vaz e por estes publicadas no livro com o título «Para onde vai Portugal?». Estão na página 305. Segundo o Professor, quem escreve assim só pode ter escrito «Até amanhã, camaradas» e o menos conseguido «A estrela de cinco pontas». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema, que se encontra nas mãos dos meretíssimos juízes da 3ª Vara Cível do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa (ao Parque Eduardo VII), está todo em provar quem era, no fabuloso romance de Manuel Tiago, o misterioso «homem da bicicleta». O «homem da bicicleta» é indubitavelmente o verdadeiro autor de «Até amanhã, camaradas». O homem da bicicleta que pedalou, ida-volta, aos campos de trabalho de Kolyma, ali ao Círculo Polar Ártico, para perceber que os milhões de seres humanos que aí morreram não passaram de um acidente de percurso na marcha imparável do comunismo universal. No fundo, uma pequena queda de bicla do Sr. José Estaline. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na contenda Sousa-Cunhal, quem ficará com a bicicleta? Aguardam-se desenvolvimentos.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. - desde Vittorio di Sica, a bicicleta é um adereço indispensável do neo-realismo. Se a Luísa da Calçada tivesse uma bicla ficava o poeta do «Sobe que sobe» sem qualquer assunto. Já o Dr. António Costa, em acção de campanha autárquica ao melhor estilo Marcelo-vai-ao-Tejo, preferiu subir a Calçada de Carriche num &lt;em&gt;Ferrari&lt;/em&gt;, contra um burro. Perdeu contra o burro. Ah, e perdeu as eleições (depois de ter anunciado que as tinha ganho e festejado a vitória...). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-106941354562745219?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106941354562745219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106941354562745219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_11_01_archive.html#106941354562745219' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-106906499826188825</id><published>2003-11-17T02:29:00.000-08:00</published><updated>2003-11-17T02:31:38.466-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>XXVII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sempre um prazer reencontrar Santana Lopes. Na capa do «Expresso», número 1148, de 29 de Outubro de 1994, o título: «Santana Lopes abandona a política em 1995...»&lt;br /&gt;O então Secretário de Estado da Cultura dizia, em discurso directo, que o seu limite de participação na vida política activa «é Outubro de 95». E adiantou: «Isto vai dar uma grande alegria a muita gente».   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só cabe perguntar: Pedro, porque estás há nove anos para cumprir a promessa? Vá lá, não nos dás uma «alegria»?  &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;P.S. -  lembre-se que, por causa de uma rábula de João Baião, Santana Lopes já tinha prometido outra vez que deixava a política. E até foi queixar-se do rábula do Baião ao Senhor Presidente da República. Pior ainda: foi recebido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;XXVI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cá lemos o suplemento «Mil Folhas», do jornal «Público», edição de 15 de Novembro de 2003. Entrevista com António Lobes Antunes, escritor nacional que ficou assim a uma unha do Nobel. Em todas as suas entrevistas, o nosso Lobito cultiva o ar enfastiado de quem já viu muito, já passou muito, sofrimentos vários, de guerras nas áfricas aos malucos do Bombarda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O macacão, como é hábito nos que cultivam o estilo &lt;em&gt;blasé&lt;/em&gt; «vocês desculpem, mas tenho um pepino enfiado no rabo», diz, a dado passo, que não lê as críticas, pois está muito «seguro» do seu trabalho. Vamos ao discurso directo: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Ao princípio, fui tão atacado aqui... [o «aqui» deve ser Portugal, porque consta que na Suécia o rapaz até vende bem. Pudera, num país que tem seis meses ininterruptos de luz solar, o que é que um desgraçado há de fazer para passar o tempo, além de ver filmes porno em Super 8 e ler repetidamente, ao som dos Abba, os 432 romances do Sr. Antunes?] &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... e curiosamente isso não me afectou. Estava tão seguro do que queria, tão seguro, tão seguro... e ainda estou»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, um clássico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Daí eu não ler as críticas...» [na melhor linha de um conhecido professor algarvio, que não dava mais do que 15 min./dia de cavaco aos jornais]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai daí, interpela a jornalista, decerto trémula perante o grandioso Antunes: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Tão seguro em relação a este livro?»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Modesto, replica o meliante: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Em relação a todos os livros que escrevi. Estava sempre tão seguro. E levei porrada, houve jornais...»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ajoelhada, prossegue a nossa entrevistadora:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Em relação aos seus últimos romances...»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Lobo não dá hipótese: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; «Ui! Quer que lhe lembre?» &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;A moça ainda esboça, respeitosamente, um:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«... não me recordo de críticas negativas.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos azuis aguados do nosso descontentamento continuam, castigadores: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Em relação a todos eles, desde o princípio ao fim. E era-me completamente indiferente. Estava tão seguro, tão seguro...»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QUER-SE DIZER: se a moçoila que mandaram para  esta missão difícil tivesse tido coragem e discernimento, deveria ter feito a perguntita fatal: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Ó Antunes, então tu ainda há dois segundos dizias que não lias as críticas e agora queres-me lembrar as críticas negativas que te fizeram, a «porrada» que levaste? Em que ficamos: lês ou não lês a porra das críticas?»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão, claro, é esta: o rapazola gosta de cultivar o &lt;em&gt;blasé&lt;/em&gt;. A culpa é do pepino, o eterno pepino no rabo dos ficcionistas portugueses. Portanto, fica-lhe bem dizer: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Primo&lt;/em&gt; - eu não leio as críticas  &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Secundo&lt;/em&gt; - eu levo «porrada» das críticas mas não ligo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira proposição contradiz a segunda. E vice-versa. A bota não bate com a perdigota, António. Não me resistias a cinco minutos num interrogatório à Gomes Freire. Então com o magistrado R. Teixeira já estavas de preventiva no EPL a alinhar mais um romancezito. Agora percebe-se porque os teus romances são tão baralhados. Tu até nas entrevistas te embrulhas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E reincides, logo a seguir: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Acho que não me posso queixar porque as pessoas são tão entusiastas em tanta a parte... [note-se que os emigrantes também não desgostam do Emmanuel e da Agáta] Estão a chegar as críticas da Alemanha, são inacreditáveis [afinal sempre lês as críticas, mariola!]. Nos Estados Unidos, em Espanha, em toda a parte [e no Togo? E em Vanuatu, onde  «Os Cus de Judas» são leitura obrigatória do secundário?]. Agora, o que me parece é que ainda é cedo [o quê? Não me digas que julgas que daqui a 50 anos, quando os teus agentes literários já tiverem batido a bota, ainda haverá quem te leia, tontito?]. Porque os livros também me escapam a mim [leia-se: nem eu percebo o que escrevo]»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moral da história: António, porque cultivas o &lt;em&gt;look&lt;/em&gt; hostimizado? Porque não nos dás um sorriso franco e aberto, como o Zé Cardoso Pires sabia fazer? Nas entrevistas e aparições públicas, o máximo que te conseguimos arrancar é um esgar do tipo «ai-que-lá-se-me-desenfiou-outra-vez-a-algália!», seguido de mais um SG-Gigante (tabaco de homem). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu bem sabes que, apesar de um pouco roliço, ainda tens saída. Uma sondagem recente, que por certo não leste, concluiu que, na Grande Lisboa, 63,5% das professoras de Português do 8º ano, na classe das divorciadas, consideravam-te «atraente» e gostavam de te conhecer «ao vivo» (contra 33,4% no mais atrasado Grande Porto). Então, porque te fechas tanto? É género, não é? Género palhaço-pobre. Mas palhaço, em todo o caso. São sete letras. Assim: PA-LHA-ÇO. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Post-scriptum&lt;/em&gt;: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o caso de não teres lido, a crítica do suplemento cultural do &lt;em&gt;Correio da Golegã&lt;/em&gt;  dizia que tu, a Florbela Espanca e o TóZé Martinho (sim, também já lançou um livro!) eram as grandes revelações da ficção portuguesa dos anos 90. Força, então, António Antunes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-106906499826188825?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106906499826188825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106906499826188825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_11_01_archive.html#106906499826188825' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-106873823210157342</id><published>2003-11-13T07:43:00.000-08:00</published><updated>2003-11-13T07:44:10.576-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>XXV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No «Portugal deprimido» da pedofilia e dos apertos orçamentais o &lt;em&gt;marchand&lt;/em&gt; José Castelo Branco é uma pausa saudável. Suspeita-se mesmo que, em mais uma terrível urdidura, esteja a ser contratado pelo Governo para desviar as atenções do desemprego, da contestação às propinas e daquela coisa do pacto de estabilidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é domínio público, o curioso efebo foi recentemente detido no aeroporto de Lisboa, na posse de alguma bijuteria, uma antiguidade de certo valor museológico (a conhecida &lt;em&gt;designer&lt;/em&gt; Betty Graffstein), um mordomo e um segurança (está-se mesmo a adivinhar o que é estes dois marotões andam a fazer lá por casa). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;marchand&lt;/em&gt; (é assim que na França chamam à &lt;em&gt;paneleirage&lt;/em&gt;?) foi prontamente libertado pelo singelo motivo de que o Exmo. Director-Geral dos Serviços Prisionais foi incapaz de se decidir se deveria enviar o feérico recluso para a Cadeia de Tires ou para o mais másculo Estabelecimento Prisional de Lisboa. Apesar dos veementes protestos do detido, que reclamou sentir-se bem nos chuveiros do EPL, acabou devolvido à liberdade e, enfim, ao nosso convívio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem-haja, pois, Senhor Director-Geral, por esta libertação. Doutro modo, não seria possível à revista «Caras», nº 431, recolher as impressões prisionais de José Castelo Branco. Gramsci e Camilo que se cuidem, pois os «cadernos do cárcere» do &lt;em&gt;marchand&lt;/em&gt; José são já um &lt;em&gt;must&lt;/em&gt; da literatura do género. Do género panasca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que vieste cá fazer, meu tonto? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«À Europa veio expressamente para cumprir a sua agenda social, onde se incluem cinco bailes e uma semana em Inglaterra para um encontro com a família real britânica» (nota: se o Palácio de Buckingham não me desmente esta merda começo a acreditar que limparam mesmo o sebo à Diana e ao Dodi)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E na alfândega? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Foram todos extremamente simpáticos comigo. Extremamente polidos». (nota: tão polidos como os diamantes que o maganão tentava fazer entrar à má-fila no Espaço Schengen)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Os guardas ficaram à rasca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Eles assustaram-se e eu compreendo, porque não estão habituados a ver uma pessoa na posse de tanta coisa. Ficariam em pânico se entrasse cá uma Elizabeth Taylor. O que seria!?» (nota: a actriz Dona Isabel Alfaite, e isto é só para teu cuidado, não fez fortuna a traficar jóias, percebestes?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E agora, José?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; «De futuro, terei de me informar, agora já sei como são as regras da casa e vou começar a fazer compras apenas na Europa: em Paris e Milão» (nota: ó filho, tu não te precipites, olha que o &lt;em&gt;Outlet&lt;/em&gt; do Carregado também tem coisas muito em conta! E bons artigos, ouvistes?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com quantos fatos te deslocas tu, José? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«José Castelo Branco desloca-se com 50 fatos, 50 pares de sapatos e dezenas de acessórios» (nota: e mesmo assim não perdemos a vontade de lhe desfazer o focinho à primeira oportunidade; o problema é que a aventesma ainda era capaz de gostar)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ó Zé, isso deve dar-te um trabalhão fazer as malas, não?&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;«São necessários dois dias para fazer e dia e meio para desfazer as malas de José e Betty» (nota: é que só a porca da Betty leva aí umas três a quatro horitas a empacotar; já o José, não, empacota rápido).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então tu, minha cabecita louca, és o único português que não sabe o que é o DIAP?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  «Eu fui para o DIAP. Na altura, até entendi que me estavam a mandar para o Diabo. “Por amor de Deus, então agora mandam-me para o Diabo? Poupem-me!” Foi a minha expressão» (nota: o Sr. Lúcifer manda informar que se lhe enviam este rabeta para o departamento que superiormente dirige converte-se de imediato ao Cristianismo, com baptizado, comunhão e crisma tudo no mesmo dia)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Engordaste uns quilitos na prisa, hã, meu panascão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; «Fiquei paranóico, porque não tinha os meus comprimidos para emagrecer. Então decidi que só beberia água. Jejum absoluto. O jejum faz-me bem» (nota: o que é que queres dizer com «jejum absoluto»? Não comeste &lt;em&gt;mesmo&lt;/em&gt; nada?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gostaste dos chuveiros, mariola?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Fui tratado com toda a dignidade. Sabe que há pessoas mais simpáticas e outras menos, mas os guardas foram do mais civilizado que há» &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Dentro das circunstâncias, achei tudo muito simpático» (nota: o que tu gostas, marafona, é mesmo «dentro das circunstância», não é verdade?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Senti-me no meio de um filme de Fellini» (nota: importas-te de nos recordar o título? É que o «Puta de Prisão» não é um filme, é um livro, e não é do Fellini, é da Dona Isabel do Carmo,  competente nutricionista a cambar pró gorda-que-nem-um-tralhão)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Tive um momento muito curto de desespero, porque os meus momentos de desespero são muito curtos» (sim, o que é isso comparado com andar agarrado à Betty vai para uns anitos?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Sou um bicho, um animal tão positivo, tão positivo, tenho uma fé tão grande e a minha tranquilidade era tal que sabia que era mais uma experiência» (nota: nós bem sabemos que és um bicho e que os bichos como tu gostam de «experiências»; depois, olha, admiram-se quando nos testes o animal dá positivo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«O que seria eu em Auschwitz, de Chanel! Que medo tenho! Tenho pavor!» (Ó MEU GRANDA RABETA, PELA TUA ALMINHA, AUSCHWITZ NÃO É UMA &lt;em&gt;GRIFFE&lt;/em&gt;! PODES LEVAR ONDE QUISERES, QUE A MALTA ATÉ SOMOS MODERNOS E TOLERAMOS, MAS NÃO BRINQUES COM COISAS SÉRIAS!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Nem pijama, nem escova de dentes... Aí é que me senti um lixo» (nota: deixa estar, rapaz, mesmo com pijama e escova de dentes continuas a ser um lixo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«A cela não me fez impressão, porque já fiz imensos retiros espirituais e é muito idêntico a esses quartos» (estás a falar daquela trapalhada dos «quartos escuros» de que vocês tanto gostam?) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Ofereci toda a atribulação a Nosso Senhor pela conversão dos pecadores» (nota: Nosso Senhor mandou agradecer e empenho mas, em nota distribuída à agência LUSA, adiantou que, de futuro, gostaria de não ver o Seu nome envolvido em histórias de rabetagem)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Senti que este país, às vezes, não me merece» (inteiramente de acordo: Portugal não merecia isto. Tens bom remédio, filho: fala com o Dr. Barreiros e mete já os papéis de naturalização no consulado da Rabetolândia)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Eu podia dar tanto a Portugal como embaixador do nosso país, que é lindíssimo e que tem gente fantástica...» (continuamos em sintonia: o nosso distinto corpo diplomático está carregadinho de bicharada como tu; ademais, a Dona Maria Elisa, com muito menos estudos, já é conselheira cultural em Londres, capital do Reino Unido)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então tu vais-me para uma contagem de presos sem um arranjinho facial?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Acordaram-me à hora a que costumo deitar-me (...) Era para contar os presos que estavam já à porta das celas. Os guardas disseram-me para ter calma, que não estava preso, apenas detido. (...) Vim cá para fora sem um creme, sem nada. Eles fizeram a contagem e voltei para dentro» (nota: pois se é para dentro que tu preferes, porque é que os simpáticos funcionários dos Prisionais não haveriam de te fazer a vontade?)  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E a tua cara-metade anda nisto do tráfico vai para quanto tempo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«A Betty está no negócio há 40 anos, não é propriamente uma garota que se está a iniciar» &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ir para a pildra ninguém gosta, pois não? Confessa lá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«É extremamente complicado passarmos por uma situação destas» &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O pessoal estava com medo que tu lhe pegasses alguma coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Os reclusos estavam a acabar de limpar o meu quarto. Deixaram a minha casa de banho impecável, desinfectada com lixívia» (ora não, chamem-lhes parvos! É que o danado do bicho pega de estaca!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lá por teres dado a volta à velha julgas que o pessoal é tanso? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Não sei mentir. Quando o faço meto os pés pelas mãos» (enquanto for só isso, pés pelas mãos, está bem; agora não queiras meter mais nada cá na rapaziada, ouvistes?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Nunca tive algemas» (parece impossível, Zé! E não reclamaste?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Os reclusos olhavam para mim e comentavam entre cochichos quem eu era» (não avances pormenores que é sempre mais giro a malta imaginar os comentários)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Os presos fizeram uma cantilena em meu nome» (nota: para desgraça da cultura portuguesa, o livro de estilo da «Caras» - até eles têm uma coisa dessas! - proíbe-os de publicarem o teor da letra)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«E o Herberto Helder dedicou-me um poema» (esta é inventada, mas se fosse verdadeira tinha a sua laracha; é que o Herberto até chateia: é tão consensual que até parece que já morreu)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Os presos foram de uma gentileza que não posso esquecer» (olha, afinal, sempre houve reinação!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Estava todo de Gucci preto e sentia-me nojento» (o Sr. Gucci faz o que pode, mas milagres só o São Pedro) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Para mim prisão é prisão, é estar preso» (claro: e, para mim, homossexual é paneleiro; e conhaque é conhaque; e trabalho é trabalho; &lt;em&gt;and a rose is a rose is a rose&lt;/em&gt;) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Nem quis pedir sabão. Nestas situações acho que o melhor é nem incomodar» (aí é que, hádes-me desculpar, mas tu te enganas: num estabelecimento prisional, a parte do sabão é sempre a mais divertida)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Tomei um duche, enfim, molhei o corpo, porque não tinha nada com que me lavar» (e esse madraço do teu mordomo onde é andava?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Depois estive numa cela com cinco ou seis pessoas nas mesmas circunstâncias que eu» (prontos, agora que já se resolveu tudo, diz lá que não foi uma noite bem passada?) &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;«Neste país uma pessoa não pode ter brilho, não pode ter glamour, não pode ser ela própria» (esta parece mesmo tiradinha do «Viriato» do Prof. Freitas do Amaral)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«A dignidade nunca fica na sarjeta» (olha, rapaz, já que estamos numa de tiradas grandiloquentes, digo-to eu: «‘tou-me cagando para o segredo de justiça»)  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«De pé morrem as árvores, e nós estamos todos de pé!» (Otelo, pá, tu, pela tua saudinha, reconstitui-me as FP-25 e mete-me uma bomba na boca deste lilas, camandro)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II ACTO &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num baile no Porto, dois dias depois de sair da prisão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Hoje venho um bocado despido e a Betty, coitadinha, também» (se o Prof. Galopim a apanha em pêlo, a senhora ainda faz o Inverno na aguardada exibição «Dinossáurios, Saurópodes &amp; Moluscos da Região Saloia», ali à Politécnica)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Por causa desta situação, a Betty teve de repetir uma gargantilha que já tinha usado noutra festa» (de Norte a Sul, o País reparou)&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-106873823210157342?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106873823210157342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106873823210157342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_11_01_archive.html#106873823210157342' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-106813646782474625</id><published>2003-11-06T08:34:00.000-08:00</published><updated>2003-11-06T08:34:25.790-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>XXIV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre actual e eterno, Vasco Gonçalves: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Os estudantes deverão compreender que são tão trabalhadores como os outros e que é o povo português que paga as universidades, que paga as escolas e a parte das propinas que não é paga pelos estudantes» &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Comunicação feita ao País no Sabugo, em 20 de Fevereiro de 1975)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-106813646782474625?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106813646782474625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106813646782474625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_11_01_archive.html#106813646782474625' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-106813147637603992</id><published>2003-11-06T07:11:00.000-08:00</published><updated>2003-11-06T07:11:14.670-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>XXIII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque se perdem, na voragem dos dias, livros, papéis, ideias? Obrigado, Fernando Alves, pela tirada pirosa do dia. Agora, passemos à frente. As prestigiadas e conhecidas Edições Golfinho (sim, existem) lançaram em 1997 uma obra que só a estupidez atávica deste «reino cadaveroso» persiste em ignorar. Na altura, como todos os grandes clássicos, suscitou escândalo. O livro tinha sido pago pelo Governo Regional da Madeira. A circunstância de se chamar «Alberto João, o Homem» era uma simples coincidência. Invejas.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regressemos, regressemos sempre, a «Alberto João, o Homem». Entrevista conduzida por Teresa Mascarenhas e Ana Macedo e Sousa (à semelhança das Edições Golfinho, não há razões para duvidar da sua existência), «Alberto João, o Homem» é um documento ímpar. Já é difícil encontrar exemplares e as Edições Golfinho, como o próprio nome indica, submergiram definitivamente depois da publicação deste clássico da «literatura maldita». Só podemos, por isso, deixar uns trechos da referida obra: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Lia muito, era o &lt;em&gt;Cavaleiro Andante&lt;/em&gt;, por exemplo, que tinha histórias muito pedagógicas, não era a bodega que se vê hoje na banda desenhada»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Eu hoje falo tão à vontade com um Rei ou com um Presidente como falo com o trabalhador rural mais pobre que exista na Madeira ou em qualquer lado»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Obrigavam-me a estudar o esqueleto do pombo, a folha do morangueiro, os intestinos do caracol, e isso era um insulto à minha inteligência»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«A minha mãe ao princípio não via a minha mulher com bons olhos»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Foi um namoro à moda antiga até ao dia do casamento, isso eu garanto. Eu tinha pouco juízo era com as outras...»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Eu acho que a idade que conta numa pessoa, seja homem ou mulher, é a idade mental»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Eu não sou propriamente atraente»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Cuecas e meias é a minha mãe que me oferece. É um privilégio dela»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Vou sempre de fato escuro, porque acho que me favorece, embora a minha mulher goste mais de me ver de fatos claros»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Eu sou um homem com imenso sentido de humor»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Gosto de comer bem»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Sou um bocadinho esquisito de boca»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Penso que a boa cozinha, seja em que país for, faz parte da cultura do povo desse país»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Nós hoje em Portugal temos uma classe política fraquíssima»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Sei fazer um ovo estrelado»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Também nado bem»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Uma coisa de que eu gosto muito é de abrir os olhos debaixo de água»&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;	«Eu hoje em dia fujo um bocadinho dos &lt;em&gt;chantillies&lt;/em&gt; e dos molhos»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Posso pôr uma água de colónia de manhã, se estiver à mão, gosto do Boss, no Inverno, gosto do Aramis»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Eu não aprecio só os prazeres físicos, também aprecio os prazeres intelectuais» &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Aprecio muito os ritmos latinos»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«A Ásia não é uma coisa que me fascine muito»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Eu não gosto de perder tempo com coisas secundárias»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Eu gosto dos grandes objectivos» &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Eu gosto de discutir milhões de contos»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«O meu avô contava-me uma história que era a história da garrafinha de chichi»       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Eu adoro dormir»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Eu gosto de cumprimentar toda a gente»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Aturar uma mulher burra é uma coisa insuportável»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Feminista sou eu, porque eu adoro as senhoras»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Eu tenho visto raparigas negras e mulatas tão bonitas!»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Não tenho paciência para aturar uma mulher bonita que seja estúpida»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«O pecado é a consciência do mal»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Eu para já sou um ecuménico»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«O padre é um homem como os outros»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Eu condenaria o Hitler a prisão perpétua»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Sei distinguir o erotismo da pornografia»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Eu não tenho complexos quanto ao sexo»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Eu conheci o Doutor Sá Carneiro como não muita gente terá conhecido»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Não sou muito dado à poesia» &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Eu gosto muito de ler»&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;	«Nós temos de lidar com grandes contingentes humanos»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Se nós começarmos por dar ao povo coisas que ele não compreende, o que é que vai acontecer?»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;               «A Eternidade para mim é a fusão na Essência do Bem» &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;AGORA, A MELHOR DE TODAS&lt;/strong&gt;: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Acho que sou equilibrado» &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-106813147637603992?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106813147637603992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106813147637603992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_11_01_archive.html#106813147637603992' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-106785187872331575</id><published>2003-11-03T01:31:00.000-08:00</published><updated>2003-11-03T01:31:17.170-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>XXII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto em Portugal se fala de uma «judicialização da política», a magistratura francesa mete a mão em coisas sérias. Segundo o circunspecto jornal «O Crime», ano XXI, nº 1108, de 23 de Outubro transacto, um juiz num colectivo em Angoulême, decerto impressionado com a argumentação da jovem advogada de defesa, decidiu masturbar-se em plena sala de audiência. Assim se administra a justiça por terras de França. O caso, informa o «O Crime», já mereceu comentário do Ministro da tutela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da nossa famosa «crise da justiça», eis um problema que jamais se colocaria em Portugal. Com efeito, a previdente revisão do Código de Processo Penal realizada em 1998 sob a égide do Ministro António Costa resolveu, de forma linear e rigorosa, um problema que vinha afectando o funcionamento dos tribunais criminais e que - reconheça-se - envolvia não apenas magistrados judiciais mas também agentes do Ministério Público (vidé, a este respeito, o assento do Supremo Tribunal de Justiça de 26 de Maio de 1983, nos termos do qual: «1 - O Ministério Público, nos estritos limites da sua autonomia funcional consignados na Constituição da República, não é um órgão de soberania. 2 - Nesse sentido, não se lhe deve aplicar, nem por analogia, o direito de masturbação, apanágio dos órgãos que administram a justiça em nome do povo. 3 - Só os juízes possuem, pois, a prerrogativa de acesso directo às partes»).   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A introdução de um novo dispositivo legal, o tantas vezes desconhecido artigo 283º-A do Código de Processo Penal, veio regular uma matéria que, pelos vistos, continua a suscitar dúvidas interpretativas em países da nossa área geo-cultural que ousam reclamar-se mais avançados. Uma vez mais, o ordenamento jurídico nacional deu mostras do seu vanguardismo. Para os não-juristas, aqui se deixa transcrição do artigo 283º-A do Código de Processo Penal, na redacção da prudente reforma de 1998:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artigo 283º-A&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;Masturbatio in pejus&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - Aberta a audiência de julgamento, e antes que contra si seja deduzido incidente de suspeição ou de recusa de juiz, terá o presidente do colectivo a faculdade de:  &lt;br /&gt;a)  Tocar o bicho; &lt;br /&gt;b)  Sacrificar a Onan;&lt;br /&gt;c)  Coçar as orelhas ao macaco; &lt;br /&gt;d)  Matar o urubu a soco; &lt;br /&gt;e)  Esticar as peles; &lt;br /&gt;f)  Agasalhar o palhaço; &lt;br /&gt;g)  Esfregar o búlgaro;&lt;br /&gt;h)  Conversar com a dona palma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - Concluído o exercício da faculdade prevista no número anterior, dará o juiz presidente a possibilidade de os demais juízes do tribunal colectivo exercerem a mesma faculdade, pela ordem de precedência fixada por sorteio no início de cada ano judicial.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 - O representante do Ministério Público só poderá exercer a faculdade prevista no nº 1 do presente artigo após apresentar atestado, emitido pela junta de freguesia da área da comarca, comprovando jamais ter pertencido às seguintes corporações:&lt;br /&gt;	a) Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (P.V.D.E.);  &lt;br /&gt;	b) Polícia Internacional e de Defesa do Estado (P.I.D.E.); &lt;br /&gt;	c) Direcção-Geral de Segurança (D.G.S.); &lt;br /&gt;	d) &lt;em&gt;Geheime Staatspolizei&lt;/em&gt; (Gestapo);&lt;br /&gt;	e) Associação de Amigos do ex-Bastonário Doutor Pires de Lima, IPSS.	&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 - O mandatário da defesa pode, em alternativa: &lt;br /&gt;a)  Foder o processo com incidentes de recusa de juiz ou demais expedientes dilatórios; &lt;br /&gt;b)  Cagar-se para o segredo de justiça;&lt;br /&gt;c)  Apresentar como peritos falsos psiquiatras conhecidos no elevador do condomínio;  &lt;br /&gt;d)  Exercer as faculdades previstas nas alíneas b) a d) do nº 1 do presente artigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 - Os assistentes e seus mandatários, como o próprio nome indica, deverão assistir a qualquer dos actos referidos no presente artigo, não lhes sendo concedido o direito de tocar o bicho na sala de audiências. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 - Nos tribunais de júri, deverão os jurados exercer a faculdade prevista no nº 1 do presente artigo por ordem de precedência de idade, do mais velho para o mais novo, podendo esta ordem ser alterada por sorteio, validado pela presença de representante do Governo Civil da área da comarca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7 - O disposto no presente artigo não se aplica aos juízes singulares, os quais deverão exercer a faculdade prevista no nº 1 segundo as regras do Código de Processo Penal de 1929, ou seja, à boa maneira antiga, na conspícua solidão das instalações sanitárias do tribunal.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;8 - Para o exercício da faculdade referida no número anterior, deverá a Direcção-Geral de Equipamento Judiciário:  &lt;br /&gt;a) Providenciar o apetrechamento das instalações sanitárias dos tribunais com um sortido de 2 a 3 números das publicações «Gina», «Tânia», «Superlesbos», «Mulheres &amp; Animais» e, para asseio das partes, «Boletim do Ministério da Justiça». &lt;br /&gt;b) Na medida das disponibilidades financeiras cabimentadas em cada exercício orçamental, ligação à rede Internet ou transmissão contínua, por sistema de vídeo-conferência, do clássico «Berbigão à Maruja» (&lt;strong&gt;a sério&lt;/strong&gt;: há &lt;em&gt;mesmo&lt;/em&gt; um filme porno com este título). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9 - Mediante requerimento, é lícito as testemunhas baterem uma pívia para memória futura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;N.B.&lt;/strong&gt; - Para quem acusar o «Umbigo» de estar a ficar ordinarote, relembra-se que na semana passada, em entrevista louvada pela generalidade dos nossos «fazedores de opinião», o Supremo Magistrado disse que cultivava o hábito de dizer cinco a seis palavrões nas suas conversas telefónicas. Zás!  &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-106785187872331575?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106785187872331575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106785187872331575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_11_01_archive.html#106785187872331575' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-106732982682720805</id><published>2003-10-28T00:30:00.000-08:00</published><updated>2003-10-28T00:30:26.133-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'> &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;XXI. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nº 426 da revista «Caras», de 11 de Outubro de 203, já uma raridade avidamente disputada por coleccionadores nacionais e estrangeiros, impressiona pela profundidade das afirmações produzidas por alguns protagonistas. Para ler e meditar: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Considero-me um conquistador» (Carlos Queiroz)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Amarmos sabendo que estamos a perder-nos a nós próprios não é bom» (Elsa Raposo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«A melhor coisa é sabermos perdoar» (Elsa Raposo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Dá-me imenso prazer andar com o cabelo assim! Além disso, é um trabalho de engenharia e arquitectura que é de admirar» (Ana Maria Lucas)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Não vejo esta loja como um conceito só empresarial, vejo como um mimo e um sonho» (Catarina Furtado)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Adoro sapatos, mas estrago-os bastante» (Maria de Belém)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«A única coisa que me preocupa agora é uma cadelinha yorkshire, de oito anos, a Mara» (Helena Vieira)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Tem de haver tempo só para o casal» (Anabela Baldaque)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Se uma relação for vivida de forma coerente, tudo é possível» (Bárbara Taborda)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«A roupa colorida dá mais graça à vida» (Isilda Peixe)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Apetece-me que o meu país deixe de ser uma utopia e passe a ser uma realidade» (Rogério Samora)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Qualquer mãe quer que os filhos cresçam felizes, atentos e solidários» (Margarida Martins)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«’Tou-me cagando para o segredo de justiça» (Eduardo Ferro Rodrigues)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Sou adepta da ganga» (Helena Isabel)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«A Rita Ribeiro é o que eu chamo um bicho de palco e esta noite transmitiu muito amor» (Mara Abrantes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Dalí é um mestre» (Felipa Garnel)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Este é o século em que a mulher confirmará se quer ou não ter uma carreira e uma família» (Ana Mesquita)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Desde que entrei nos filmes de Manuel de Oliveira, começaram a confundir-me na rua com Sua Excelência o Ministro da Defesa Nacional» (Catherine Deneuve)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Amor e paixão são sentimentos que devem ser cultivados a todo o momento» (Carlos Queiroz)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«O Zé Luís tem algum poder sobre mim, sem me cortar as asas, domina-me, sem me castrar» (Filomena Cardinali)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«No fundo, retirarem-me o útero é tirarem-me qualquer coisa da minha feminilidade» (Filomena Cardinali)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«De quando em quando, também o Doutor Oliveira Salazar apreciava o anal» (Fernando Dacosta)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Sou muito esquisita com as almofadas que uso» (Cristina Santos e Silva)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Conhecer o meu marido foi das coisas mais loucas que me aconteceu» (Célia Figueiredo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Desde que me casei que sou outra pessoa ao volante» (Pedro Mendes de Almeida)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Queria muito fazer uma tatuagem. Levei dois anos a decidir-me, mas há dois anos acabei por fazer uma no braço e outra no cóccix no mesmo dia» (Rita Guerra)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Eu tenho anemia e como estava sempre a vomitar só podia ir do sofá para a cama e vice-versa. Isto durante três meses, nem podia sair de casa nem nada. Depois, lá comecei a melhorar, mas sempre com enjoos, nunca passaram» (Teresa Barraca Dias)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Sou muito fiel aos meus amores: o preto, o branco e o bege» (Lili Caneças)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Umas botas pretas são imprescindíveis» (Paulina Figueiredo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Tenho tendência para usar mais perfumes de homem do que de mulher. Às vezes, o Fernando zanga-se» (Bibá Pitta)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Vou sempre atrás daquilo em que acredito» (Carla Salgueiro)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Gosto de ouvir críticas construtivas» (Carla Salgueiro)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Alguns dos meus defeitos podem tornar-se qualidades» (Carla Salgueiro)   &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-106732982682720805?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106732982682720805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106732982682720805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_10_01_archive.html#106732982682720805' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-106673164507451586</id><published>2003-10-21T03:20:00.000-07:00</published><updated>2003-10-21T03:20:44.956-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Da Vida, Obra e Trabalhos da Baronesa von Raposo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Importante o confronto entre duas publicações de reconhecido mérito cultural. Atenção às datas:  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A - revista «Caras», nº 462, edição de 11 de Outubro de 2003&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrevista com a Senhora Dona Elsa Raposo, encimada com o título: «“Era uma relação sem futuro”. Elsa Raposo fala da ruptura com João Lança de Morais»: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Então o que representa o barão Stefan von Breisky na sua vida?   &lt;br /&gt;– Eu e o Stefan somos muito amigos. Frequento a casa dele, que conheci através da Ruby, há pouco mais de um ano. É uma pessoa fantástica, e se um dia surgir um clima, algo mais – e nós damo-nos lindamente, ele é tão maravilhoso –, porque não?  &lt;br /&gt;– Conseguirá entregar-se de novo a um homem?&lt;br /&gt;– Se me apaixonar, com certeza que me entrego totalmente. Mas com calma.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao dia 11 de Outubro, a Dona Elsa Raposo prometia-nos «ir com calma». Vejamos, então, quando surgiu «um clima»: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;B - revista «Lux», nº 181, edição de 18 de Outubro de 2003&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capa: «Elsa Raposo. Noiva do barão austríaco Stefan von Breisky. Casamento em Londres».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interior: «Estava com o Stefan em Cascais a assistir a uma aula de equitação dos meus filhos e ele pediu-me em casamento». &lt;br /&gt;Prossegue a notícia: «Elsa Raposo aceitou e a cerimónia, civil, deve acontecer “ainda antes do Natal, muito provavelmente, em Londres, porque fica a meio caminho para os convidados”». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O observador atordoado: ó Elsa, putativa baronesa Breisky, então tu no dia 11 querias ir «com calma» e sete dias depois já estás de casamento marcado com um cavalheiro com idade para ser teu pau, perdão, pai? &lt;br /&gt;Tudo se passou, confessa a própria, numa aula de equitação. O mistério começa a desvanecer-se: tinha de haver alguém montado no meio da história. &lt;br /&gt;E ainda são as desgraçadas de umas imigrantes do Brasil que a xenófoba revista «Time» se lembra de pôr na sua capa. Pior: honestas alternadeiras em terras brigantinas, comete a publicação norte-americana a ousadia de insinuar que estamos perante prostitutas. Confirma-se a cegueira do imperialismo e da globalização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À atenção final do Sr. Breisky: a rapariga afirmou publicamente que «se entrega totalmente». Exija os seus direitos. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-106673164507451586?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106673164507451586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106673164507451586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_10_01_archive.html#106673164507451586' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-106664678822322711</id><published>2003-10-20T03:46:00.000-07:00</published><updated>2003-10-20T03:46:27.733-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>XIX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Folheando um livro de entrevistas da esplendorosa Maria João Avillez (a «Hermínia Silva» do nosso jornalismo, já aqui contemplada), intitulado «Do Fundo da Revolução» (ed. Público, 1994), deparamos, a dado passo, com uma conversa com o autor do blog «Abrupto». &lt;br /&gt;José Pacheco Abrupto  recordava a sua ruptura com a extrema-esquerda, ocorrida em Abril de 1975, dizendo: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Encontrei-me numa situação material complicada, não acabara o curso...»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai daí, entra sagazmente a nossa Hermínia: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«... De Filosofia?»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E replica, à viola, o acompanhante Pacheco («anda Pacheco!»): &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Sim. Quando a polícia me assaltou a casa, entre outros papéis, levou-me também a tese de doutoramento, estava praticamente pronta» (página 91). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer-se dizer: o rapaz, pelos vistos, ainda não acabara a licenciatura e já tinha a tese de doutoramento «praticamente pronta». Comparado com isto, bem pode o Dr. Graça Moura traduzir 454 volumes da «Summa Theologica» de S. Tomás de Aquino numa só noite (e a fazer rima!) que não chega aos calcanhares deste grandioso abrupto. Bem pode o Doutor Marcelo ler o «Diplomacy» do Kissinger em 43 minutos (e em braille!) que vai ter que comer muito para ombrear com Pacheco Pereira, o homem-que-antes-de-se-licenciar-já-tinha-praticamente-pronto-o-doutoramento (por este caminho, teve um filho antes de conhecer carnalmente a mulher...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abruptamente licenciado, abruptamente doutorado. Pena é que algum marreco da polícia tenha aproveitado a balbúrdia revolucionária para apresentar a dissertaçãozinha do nosso Pacheco numa qualquer universidade estrangeira. Suspeita-se, obviamente, do Professor Doutor Moita Flores, sendo menos consistentes as pistas que apontam na direcção do Professor Neca. A dúvida, porém, persiste : o que é que interessava à polícia a porra da tese do Zé Pacheco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pergunta-se ainda: se a cambada dos Mellos e Champallimauds abichou indemnizações, porque não ressarcir também o nosso infortunado Pacheco? É que, veja-se bem, a tese estava «praticamente pronta». José Pacheco Pereira foi, indiscutivelmente, abruptamente espoliado. Não fora o PREC e o rapaz estava doutorado. Assim, tem de se contentar em escrever «biopics» de personagens menores como Álvaro Barreirinhas Cunhal. Ou então, parafraseando a fadista Hermínia Silva (a autêntica, não o "pastiche" joranlístico) num velho anúncio da aguardente Macieira, teve «de ir lá fora (Estrasburgo) fazer pela vida».  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, mais um valor nacional que se perdeu. Deste modo, não admira só sejamos capa da «Time» à conta de putas. E brasileiras, para cúmulo.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roga-se, pois, ao sr. inspector-adjunto de 3ª classe, sr. Artímio Pentaleu Fernandes, que devolva, quanto antes, ao Licenciado José Pacheco Pereira a tese de doutoramento «praticamente pronta» que abruptamente lhe furtou de sua casa nos idos de Abril de 1975.   &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-106664678822322711?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106664678822322711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106664678822322711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_10_01_archive.html#106664678822322711' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-106543053208960609</id><published>2003-10-06T01:55:00.000-07:00</published><updated>2003-10-06T01:55:31.473-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>XVIII. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um breve apontamento. Na rubrica «Conversa com vista para...», saída na «Pública» de 5 de Outubro transacto, Isabel Carlos, comissária da Bienal de Sidney de 2004, confessa a Maria João Seixas e, enfim, ao Mundo em geral: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Quando estou preocupada ou aborrecida nada me anima mais do que ler dez linhas de um pré-socrático! Tudo neles é tão simples e ao mesmo tempo tão complexo e é tão comovente sentir toda a complexidade do mundo questionada pelos primeiros pensadores». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;XVII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O «Expresso» continua a provocar-nos. Nós bem não queríamos, mas a colecção «Cem Inanidades Sobre &lt;em&gt;Os Lusíadas&lt;/em&gt;», com o apoio Planeta Agostini, lança novamente uma pérola, de Vergílio Alberto Vieira (escritor): &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Depois da leitura com que a perspectiva humanista preencheu o horizonte de esperança que a portugalidade do reino, décadas sobre décadas, entre nós exigiu, ler hoje &lt;strong&gt;Os Lusíadas&lt;/strong&gt; continua a ser a resposta adequada à carência de saber em português, maior carência de saber que, porventura, em outros tempos. &lt;br /&gt;Porque se corre o risco de a leitura não fazer sentido; de fazer cada vez menos sentido; de pouco (ou nada) favorecer a finalidade de conciliar Camões com Portugal, de conciliar Portugal com Camões». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-106543053208960609?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106543053208960609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106543053208960609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_10_01_archive.html#106543053208960609' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-106500062040919029</id><published>2003-10-01T02:30:00.000-07:00</published><updated>2003-11-03T01:32:40.183-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>XVI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o «Público» vai inovando. Afinal, não foi ele que lançou o utilíssimo «Cargas e Transportes»? Desta feita, inaugurou uma rubrica que ficará nos anais do humor negro nacional. Referimo-nos, obviamente, ao conhecido «Necrologia.net». Na frieza própria das novas tecnologias (tipo mensagem SMS: «Estou grávida, Rui. Acho k pai és tu. Paga pensão, bjs»), o «Necrologia.net» possui diversas «valências», permitindo-nos manter informados &lt;em&gt;on-line&lt;/em&gt; sobre os concidadãos que vão quinando em cada dia que passa. Saudosos os tempos das páginas inteiras cheias de cruzes negras do majestoso «Diário de Notícias» («Bem, vamos lá ver agora os que deixaram de fumar hoje. Olhó o Arnaldo, camandro, ainda  há três quinze dias estava aí onde tu estás a falar das mamas da Florbela Queirós! Isto realmente só mesmo é preciso estar vivo», eram frases marcantes desses dias gloriosos).  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, temos o «Necrologia.net». Em cafés e pastelarias, já se ouvem conversas do tipo: &lt;br /&gt;– «E a tua tia avó, aquela da massa, como tem passado?»&lt;br /&gt;– «O quê? Não consultaste o Necrologia.net de anteontem?» &lt;br /&gt;– «Desculpa, estive fora em trabalho. Olha, os meus sentimentos». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou ainda: &lt;br /&gt;– «Paulo, o nosso casamento está por um fio. Acho que vou mandar anúncio para o Necrologia.net». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Tabaqueira, S.A., instituição de utilidade pública, projecta mesmo colocar novos e alucinantes anúncios nos seus maços: «Os fumadores estão aqui estão na Necrologia.net» ou «Tabaco: passaporte para o ciberspaço».   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não têm, no entanto, os portugueses dado o devido relevo a um serviço prestado pelo «Necrologia.net». É que o «Público», sempre bem informado, não tem apenas aquela coluna idiota «Hoje Fazem Anos» (Simão Sabrosa, 24; Emídio Guerreiro, 149; Fernando Vale, 157; Mário Soares, 86 e continua ordinarote; Bárbara Guimarães, 6 d.C. (depois de Carrilho); André Sampaio, anos suficientes para levar com um pano encharcado naquela tromba enjoada). Além disso, o «Necrologia.net» mantém uma lista, actualizada ao minuto, sobre os nossos mortos. A consulta à pasta «Archives» é sempre boa para dissipar aquelas dúvidas, que ocorrem em tantas conversas, sobre se determinada personalidade está ainda entre nós: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– «É pá, o Raul Durão desapareceu completamente. O gajo ainda está vivo, não está?» &lt;br /&gt;– «Olha, sinceramente não sei. Mas vou ver aqui na Necrologia.net». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– «Vi ontem um filme com o Max von Sydow. Daquilo já não se faz». &lt;br /&gt;– «Mas o gajo ainda não morreu!». &lt;br /&gt;– «Não morreu, o quê? É o que tu quiseres. Ainda ontem estava esticadinho ao comprido na Necrologia.net». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– «Então e o Bin Lade (é assim mesmo: «Bin Lade»), os gajos bem escarafuncham lá os túneles, mas não há maneira de lhe deitarem a mão!» &lt;br /&gt;– «Olha, isso é o que eles deixam vir cá para fora (o «vir cá para fora» é outro clássico). Deixa-me ver o que nos diz a nossa Necrologia.net».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– «Então e como estivemos de mortos nas estradas este fim de semana, Ernesto?» &lt;br /&gt;– «Quarenta e três, sr. dr., com possibilidades de irmos aos 52, se aqueles 9 feridos graves não se baldarem aos seus compromissos. Precisamos manter as médias, dr.. É por causa da Europa» &lt;br /&gt;– «Mantém-me informado, Ernesto» &lt;br /&gt;– «Sim, sr. dr.».&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;– «Tu não me digas que ainda compras o Semanário!»&lt;br /&gt;– «Enquanto não sair na Necrologia.net, compro. É preciso dar uma ajuda aos mais carenciados»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– «O Papa não faz este Inverno»	&lt;br /&gt;– «Não te estejas a adiantar, Mário, que o rapaz ainda não está na Necrologia.net».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Necrologia.net» permite ainda resolver mistérios históricos que desde há muito atormentam os espíritos. Refira-se, a título de exemplo, que John Kennedy, Howard Hughes e Elvis Presley NÃO CONSTAM de «Necrologia.net». Confirmam-se, pois, os rumores de que estão vivos, provavelmente na colónia balnear de Guantanamo. O mesmo acontece em relação a outras figuras históricas, como Átila (animador da ordeira claque «Juve Leo»), Jesus Cristo (empresário com sucursais em todo o país e no estrangeiro), Gengiscão (cidadão oriental, proprietário do restaurante “Tun-Fon” e de uma loja dos 300, agora conhecidas como 1,5 €) ou António Champallimaud (reformado dos CTT). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma consulta a «Necrologia.net» permitiu fazer uma listagem curiosa, ordenada por grupos em ordem decrecente de vitalidade: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	&lt;strong&gt;A - Vivíssimos &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Marcelo Rebelo de Sousa – &lt;em&gt;entertainer&lt;/em&gt; (em todos os planos da sua actividade profissional).&lt;br /&gt;	Maria Elisa Domingues - fatigada crónica; grande vulto da cultura portuguesa, vítima da inveja e mesquinhez nacionais.&lt;br /&gt;	Pedro Miguel Ramos - antecessor do Ministro da Cultura Manuel Maria Carrilho na titularidade da pasta Bárbara Guimarães; detém actualmente, mas por pouco tempo, o troféu Fernanda Serrano na época Verão-Outono 2003.	 &lt;br /&gt;	Filomena Pinto da Costa - gaja-que-foi-capa-da-revista-do-circunspecto-Expresso-algures-no-Verão-de-2003 (por sinal, na mesma edição em que publicaram uma declaração de princípios contra o sensacionalismo jornalístico).&lt;br /&gt;	Pilar Saramago - nos termos do artigo 37º do Código de Direito de Autor, é devido o pagamento de direitos, em numerário, até 70 anos após o falecimento do respectivo titular. &lt;br /&gt;                Camilo Oliveira – humorista insuperável. &lt;br /&gt;                Paulo Teixeira Pinto – o que é que este marreco anda a fazer num partido que se diz social-democrata?&lt;br /&gt;                Antero da Silva Resende – só as suas crónicas conseguem manter vivo o valroso periódico «O Dia»&lt;br /&gt;                Vasco Graça Moura - com o patrocínio das cigarrilhas Mercator, encontra-se a traduzir em verso a lista telefónica da cidade de Osaka. Espera-se que conclua o trabalho, ontem iniciado, no próximo fim-de-semana.&lt;br /&gt;                Dias Loureiro - eterna reserva moral; no entrementes, aparou o bigode.&lt;br /&gt;                Diana Champ Martins da Cruz - futura doutorada pela &lt;em&gt;Harvard Medical School&lt;/em&gt;. Mais um valor nacional que se perdeu. E arma de destruição maciça: com uminocente requerimento, mandou abaixo dois ministros, um dos quais seu pai (desculpem: encarregado de educação). &lt;br /&gt;          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	&lt;strong&gt;B - Moribundos &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Amílcar Theias - Ministro do Ambiente (às 23:53 do dia 29.09.03).&lt;br /&gt;	Sport Lisboa e Benfica - colectividade recreativa de zona limítrofe da Grande Lisboa.&lt;br /&gt;	Luís Filipe Scolari - futuro campeão europeu de rappel; até lá, aufere cerca de 20 mil contos/mês, ao câmbio antigo.  &lt;br /&gt;	Eduardo Barroso - cronista ambidextro, pois tem a capacidade de escrever sobre dois temas: medicina e futebol. Fora disso, não há nada.   &lt;br /&gt;                Eduardo Ferro Rodrigues - astrólogo e cabalista, contra-regra da revista «Venha o Próximo»; fica particularmente bem dentro de uma igreja, nomeadamente quando aperreado num fraque dois números abaixo do seu.  	&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	&lt;strong&gt;C - Zombies (com vontade de regresso ao mundo dos viventes)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;                Aníbal António Cavaco Silva - economista algarvio.&lt;br /&gt;	António de Oliveira Guterres - comparsa do anterior, mas «solidário» (viu-se!).&lt;br /&gt;	Domingos Duarte Lima - pacato contribuinte, injustiçado pelo falso jornalismo de investigação.&lt;br /&gt;	Nuno Severiano Teixeira - segundo as suas palavras, fundador de um «think tank» que não é «policy oriented» (e digam lá se não é lindo viver neste nosso Portugal?). &lt;br /&gt;                 Paulo Portas - segundo as biografias mais autorizadas, consta que sir Winston Churchill não era panasca. &lt;br /&gt;                 Luís Francisco Rebello - cidadão desapegado de bens materiais; pai de família modelar, preocupado com o futuro dos seus.&lt;br /&gt;                 Diogo Freitas do Amaral - dramaturgo a atravessar difícil andropausa.&lt;br /&gt;                 Manuel Monteiro - definitivamente, um palhaço.&lt;br /&gt;                 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	&lt;strong&gt;D - Mortos e enterrados&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;                Pedro Abrunhosa - invisual da cidade do Porto.&lt;br /&gt;	Processo Casa Pia - história fantasiosa que alimentou a «silly season» no Verão de 2003. &lt;br /&gt;                Herdade do Brejão – mega-projecto agrícola na costa alentejana dos tempos do cavaquismo, liderado pelo empresário Thierry Roussel. Co-financiando pela União Europeia e agora é só ir ver a bela merda que lá está. &lt;br /&gt;                Sagres Europa - bebida espirituosa dos anos 80, rejeitada pelos consumidores após a vinda de fundos estruturais que permitiram aos portugueses beber cerveja importada.  &lt;br /&gt;                Arrependidos do processo FP-25 - antigos terroristas; actualmente, arrependidos de se terem arrependido, julgando que isto era como nos filmes americanos com identidades novas, vivendas em Miami e operações plásticas.&lt;br /&gt;              ex-Ministro Martins da Cruz - com aquela carinha de goraz, foi capaz de jurar por sua honra, em pleno hemiciclo do Parlamento da República Portuguesa, desconhecer em absoluto o futuro escolar da filha (rapariga que, por sinal, não via há 6 anos). Dizem que saíu com «dignidade» (a mesma que lhe faltou quando ministro) e, segundo o próprio, de «consciência tranquila». &lt;br /&gt;             Sobrinho do Dr. Isaltino Morais - recatado emigrante na Confederação Helvética, tenta, sem sucesso, descontar um cheque no &lt;em&gt;Crédit Nationale de Lausanne&lt;/em&gt;, onde, graças a economias feitas em 323 anos de trabalho, possui uma conta à ordem no valor de 4.3 milhões de dólares.  &lt;br /&gt;             Manuela Arcanjo – gnomo irritante que exerceu funções governativas algures nos anos 90.&lt;br /&gt;              Alberto Costa - antigo Ministro da Administração Interna; passará à História por ter sido em relação à sua pessoa que se utilizou pela primeira vez a expressão, agora vulgarizada, «erro de casting». &lt;br /&gt;              Mara Abrantes – sucedâneo nacional de Shirley Bassey; substituída por versão modernizada na pessoa da cantora Sara Tavares&lt;br /&gt;              Maria Armanda – sucedâneo nacional de Shirley Temple; criança gorducha que ganhou o troféu “Sequin de Ouro” e foi barbaramente explorada pelos padrinhos; actualmente, é um cancelão de meia-idade&lt;br /&gt;             José Cid – sucedâneo português de Elton John; conseguiu regressar à fama quando posou nu com um disco de ouro a tapar as partes pudendas. &lt;br /&gt;             António Vigário – na contestação às propinas, destacou-se como líder estudantil; por isso, terminou a carreira no momento em que os outros a começam: ao concluir a licenciatura. É que não é Cohn-Bendit quem quer.  &lt;br /&gt;            Fernando Ká - preto de serviço do Partido Socialista; substituído pelo Dr. António Costa, que, segundo «Necrologia.net», «não é preto mas faz as vezes de...». &lt;br /&gt;            Miguel Esteves Cardoso .- parafraseando o título de uma das suas obras, o gin tónico é fodido.&lt;br /&gt;           Ivan Nunes – tendo como profissão ser filho da Professora Doutora Ana Prata, desde jovem passou dificuldades económicas, subindo a pulso na vida; fogo-fátuo da extrema-esquerda portuguesa, prontamente substituído por «starlettes» do sexo feminino, como as professoras Ana Drago e Joana Amaral Dias. Ao que consta, integra actualmente o grupo circense de Coimbra «Equipa do Prof. Boaventura Sousa Santos». Negócio do século: comprar o doutor Ivan pelo que ele vale e vendê-lo pelo que ele julga que vale. &lt;br /&gt;	Badaró - cómico de nacionalidade brasileira; na idiotice e falta de graça, ultrapassado a todos os níveis por Guilherme Leite.&lt;br /&gt;                Rui Tovar - comentador desportivo; olhos azuis aguados.&lt;br /&gt;                Bernardo «Nino» Vieira – humanista da lusofonia.&lt;br /&gt;	Fernando Pereira - imitador e cançonenista; há 17 anos em tournée nas comunidades portuguesas na Lapónia Central. &lt;br /&gt;	Rute Marques - ex-manequim, futura calista diplomada no Shopping Cidade do Porto.  &lt;br /&gt;	Chalana - ex-marido da distinta senhora Anabela Chalana; actualmente, columbófilo. &lt;br /&gt;Moser - profissional de futebol, sempre se destacou pelo aspecto aristocrático.&lt;br /&gt;	Ricardo Sá Pinto - idem, mas com problema de fechamento dos maxilares (excesso de dentição na cavidade bucal); único profissional de futebol convidado para o casamento de S.A.R. o duque de Bragança, aos Jerónimos; segundo o «Necrologia.net», a razão do convite prendeu-se com a forma franca, aberta e desempoeirada como resolveu um pequeno problema de índole laboral com o seleccionador nacional de futebol Artur Jorge.	&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-106500062040919029?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106500062040919029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106500062040919029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_10_01_archive.html#106500062040919029' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-106431165287519410</id><published>2003-09-23T03:07:00.000-07:00</published><updated>2003-09-23T03:07:32.886-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>XV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Narcotizado pelos escândalos da pedofilia e os fogos florestais, não deu o País o devido destaque ao desaparecimento de uma das mais densas e penetrantes colunas da imprensa escrita nacional. Referimo-nos, obviamente, aos textos da ensaísta Vera Roquette que um jornal com pergaminhos centenários, que gosta de se autodenominar «uma instituição», tinha a lata de publicar aos sábados. &lt;br /&gt;No espólio Vera Roquette depositado na Biblioteca Nacional (sector de reservados) conservam-se alguns inéditos da autora. Agradecendo a autorização do director daquela instituição, Prof. Doutor Diogo Pires Aurélio, publica-se um pequeno fragmento para os milhões de leitores que guardam saudades da presença de Vera Roquette (uma presença quase tão boa como a do advogado João Vieira de Almeida, rapaz com notórias dificuldades em escrever mais do que 54 caracteres a dois espaços). &lt;br /&gt;Para maiores desenvolvimentos, aconselha-se: &lt;em&gt;Vera Roquette, Fotobiografia&lt;/em&gt; (Círculo de Leitores, 2002), de Inês Pedrosa (colecção «Grandes Biografias do Século XX», dir. de Joaquim Vieira); &lt;em&gt;Roquettiana Activa e Passiva. Uma visão biobibliográfica&lt;/em&gt;, de Luciana S. Picchio (INCM, 1998, já desactualizada); &lt;em&gt;Roquetteanistas e Antiroquetteanistas: uma polémica literária em aberto&lt;/em&gt;, de Óscar Lopes e Arnaldo Saraiva (Campo das Letras, 2000); &lt;em&gt;Do dionisíaco e do apolíneo no roquetteanismo português&lt;/em&gt;, de Maria Helena da Rocha Pereira (Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Instituto de Cultura Clássica, 1997). Além, naturalmente, do seminal «O Psicodrama da Identidade Nacional na obra de Vera Roquette», de Eduardo Lourenço (&lt;em&gt;Colóquio Letras&lt;/em&gt;, nº 102, Abril de 2002, pp. 155-167). Um estudo mais aprofundado não pode prescindir das fontes primárias, com destaque para o &lt;em&gt;Corpus Roquettianus Classicus. Opera omnia&lt;/em&gt;, de que já saíram 23 tomos (letras A-F e dois volumes de índices) com a chancela da Academia das Ciências de Lisboa. &lt;br /&gt;Mas já percebemos que o interesse do leitor reside no inédito. Vamos a ele: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Férias&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Férias é acordar às horas que nos apetece. Tomar o pequeno-almoço na maior das calmas e ler os jornais na esplanada com todo o tempo do mundo antes de ir para a praia. Férias é comprar revistas estrangeiras que não compramos nas outras estações do ano. Férias é ler os livros que ao longo do ano se acumularam na mesa de cabeceira à espera de melhor oportunidade. É sentir ao fim do dia o sal na pele ao sol. Férias é ter um dever e não o fazer, como escreveu Walt Whitman. Férias é ter tempo para estar com os amigos sem o olhar constante no relógio (nas férias, nunca uso relógios). É ficar no «T» até ao raiar do crepúsculo do amanhecer, sabendo que no dia seguinte não teremos que ir trabalhar ou pensar nas compras da casa. Férias é o melhor antidepressivo do mundo. Essencial para carregar as baterias para a lufa-lufa da vida stressante nas cidades urbanas. No nosso tempo contemporâneo, férias não são um luxo, mas uma necessidade. Se o leitor não foi ainda de férias, aproveite e vá. Por mim, eu pessoalmente estou de férias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-106431165287519410?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106431165287519410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106431165287519410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_09_01_archive.html#106431165287519410' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-106379094997863817</id><published>2003-09-17T02:29:00.000-07:00</published><updated>2003-09-18T04:38:00.606-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>XIV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem de apelido Coimbra, mas vive em L.A. (=Los Angeles, para os não-familiares). O Sr. Coimbra até é espertalhote e tem a sua graça. Em todo o caso, tem menos graça do que o que julga - e aí é que bate o ponto. O rapaz também não tem culpa, pois, como se sabe, teve uma mãe castradora. Noites a fio, pela invernia dentro, D. Conceição Hipérbolica, de Sernacelhe, obrigou o petiz a fazer redacções com, pelo menos, 23 hipérboles em cada parágrafo. Na puberdade, Rui Hipérbolico Coimbra rebelou-se contra a tirânica D. Conceição, mudando o nome para Rui Henriques Coimbra. Mas o código genético da dinastia Hiperbólica (concelho de Sernacelhe) continuou lá, indelével. Fugido para os Estados Unidos, Rui frequentou um &lt;em&gt;Anacolut Course&lt;/em&gt; (curso de anacolutos) e ainda fez umas cadeiras das famosas &lt;em&gt;Assindent Lectures&lt;/em&gt; (aulas de assíndeto). Concluiu com proveito um mestrado em aliterações e ainda pensou abalançar-se a um doutoramento em sinédoques. O estudo obsessivo destas figuras de estilo visava apagar o trauma infantil da hipérbole. Mas esta, cruel, regressa sempre aos seus textos, por mais que o nosso infeliz Rui procure escapar à fatídica &lt;em&gt;home-schooling&lt;/em&gt; de Sernacelhe. A paranóia hiperbólica agrava-se sempre que se trata de apreciar a beleza, sobretudo de feminina e em especial de actrizes. Um caso dramático passou-se com uma viagem do nosso Rui pelo norte da Europa: numa semana, foi à Dinamarca e disse que os dinamarqueses eram o povo mais bonito do mundo; na semana seguinte, foi à Suécia e o que é que ele disse? Acertou: os suecos são o povo mais bonito do mundo. Ora imaginemos um reformado da clássica Companhia dos Caminhos-de-Ferro de Benguela, viúvo recente, que compra o semanário «Expresso» na vã esperança de se manter informado. O idoso (tratemo-lo assim) quer saber qual é o povo mais bonito do mundo, pois até pensava, pelo cair da folha no Outono («está mais fresco e os preços não são a loucura do Verão» e «ainda faz dias bonitos»), integrar a famosa excursão Inatel «O Povo Mais Bonito do Mundo» (com paragens em Badajoz, cidade-museu, e Aldeavilla, património da Humanidade, e o resto é sempre a andar, que quem não órinou tivesse órinado lá atrás). Não ficará o senhor baralhado? À atenção, pois, do Sr. Coimbra. &lt;br /&gt;Espreitemos agora a sua crónica da próxima semana: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Dias de Calor&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, antes de começar este texto tenho de explicar que o &lt;em&gt;Pigs for Pearls&lt;/em&gt; não é propriamente um hotel. Se fosse um hotel, seriam precisas pelo menos duas galáxias para lhe dar estrelas. E, bem, mais uns três cometazinhos. O &lt;em&gt;Pigs&lt;/em&gt; (como lhe chamam familiarmente as gentes de L.A., mesmo aquelas que julgam que só existe em sonhos) fica situado em &lt;em&gt;Rodeo Drive&lt;/em&gt;. Mesmo ao pé de uma loja da &lt;em&gt;Cartier&lt;/em&gt; que tem coleiras para caniches cravejadas de diamantes cujo preço ronda o salário de um ministro de Portugal nuns, digamos, 232 anos de trabalho (bem, estou a exagerar: talvez nuns 7645 anos de labor de um camponês vietnamita da média burguesia agrária). O &lt;em&gt;Pigs&lt;/em&gt; é «só» o hotel mais caro de &lt;em&gt;Rodeo Drive&lt;/em&gt;, um local que também é «só» a rua mais cara do universo já desbravado pelo Hubble. Como sofro do coração, não perguntei o preço da diária. Apercebi-me, ainda assim, que o Sr. António Champalimaud pode tomar um chá de menta na Sala Vancouver se se dispuser a desfazer-se de um terço do seu património. &lt;br /&gt;É claro que este vosso criado só entrou no &lt;em&gt;Pigs&lt;/em&gt; porque tinha convite para assistir a uma «premiére» do novo filme da Jennifer Lopez com um rapaz pouco conhecido (acho que se chamava Tom Cruise, conhecem?). Obviamente não fui ao &lt;em&gt;Pigs&lt;/em&gt; para ver o filme (de resto, uma «soap opera» onde a cruel hispânica dá a volta à testosterona do pobre Thomas quando ainda passavam as letras do genérico). O meu objectivo era, como o leitor já se apercebeu, ver com estes azuis que a terra há de comer um pedaço que fosse da Jennifer (ficámos amigos, como vêem). Bastava-me três segundos de relance do seu calcanhar de Aquiles para dar graças a Deus por ter nascido.&lt;br /&gt;O porteiro do &lt;em&gt;Pigs&lt;/em&gt;, um &lt;em&gt;gentleman&lt;/em&gt; grisalho com um ar mais distinto do que todos os nossos presidentes da República juntos (Manuel Teixeira Gomes incluído), olhou para mim com o ar de «Olá, formiguinha! Bem sei que nem que escrevesses 23544 crónicas por dia conseguias franquear a portinha deste estabelecimento. Mas, vá lá, como sei que és jornalista e tens um appointment marcado com essa terceiro-mundista da Jennifer Lopez aqui o ogre vai deixar-te entrar sem fazer perguntas».&lt;br /&gt;No &lt;em&gt;lobby&lt;/em&gt;, com um ar aparvalhado a olhar para os mármores de Carrara, já estavam uns 433 colegas deste duro ofício. Alguns, de ténis calçados. Eu envergava a minha T-shirt histórica com os dizeres: «Eia, rapaziada de Sernacelhe! Já viram adonde chegou o vosso Ruizinho da D. Conceição?» (e, nas costas: «Hyperbolics do it better»). Como qualquer diva, a Lopez fez-se esperar. Acho que exagerou uns minutos: a Universal tinha marcado o encontro para as 9 da manhã (brrrrr!!!!) e eram seis e trinta da tarde e ainda o pessoal andava aos tombos pelo hall dourado do &lt;em&gt;Pigs&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;Mas ei-la que desce. Este é daqueles momentos em que uma pessoa não se arrepende que um cometa esteja a cair desvairado na direcção da Terra e a Humanidade vá desaparecer dentro de meia-hora. Subitamente, comecei a acreditar que, se Deus não existe, devia existir só para contemplar esta maravilha da Natureza. O corrimão a que Jennifer se agarrava delicadamente começou, não sei porquê, a contorcer-se de gozo. Os degraus da escadaria derretiam à sua passagem. Vi claramente visto o mármore de Carrara a estalar com os queixos do pessoal da press a baterem no chão (também o deste que agora vos escreve). Numa reacção espontânea, todos nos ajoelhámos a beijar o tapete por onde a deusa iria passar. Como diria Roberto Carlos: «obrigado, Senhor!» Ah, já me esquecia: ao lado dela ia um rapaz que me recordou um figurante do &lt;em&gt;Top Gun&lt;/em&gt;. Não me lembro do nome. &lt;br /&gt; A conferência de imprensa foi curta. Ainda bem. Os bombeiros de L.A. não tiveram descanso a resgatar os corpos de jornalistas que iam sucumbindo a cada sorriso ou esgar da menina Lopez. Ah, Ben Affleck, se tu estivesses aqui eu dizia-te que és mais sortudo do que aquele coxo que ganhou duas vezes o &lt;em&gt;El Gordo&lt;/em&gt;! &lt;br /&gt;Seguiu-se o visionamento do filme, já sem a presença da actriz, que se desvaneceu como uma visão mística de Santa Teresa de Ávila. O rapaz que a acompanhara, parecido com o Tom Cruise (ou seria mesmo ele?), distribuía sacos de pipocas pelos meus colegas de ofício, enquanto perguntava: «Está tudo bem com os senhores? Querem mais uma aguazinha?». Eu já não estava nas melhores condições para seguir uma película. Depois de ter encarado &lt;em&gt;alive &lt;/em&gt;a grande Lopez os meus neurónios só tinham consistência para ver anúncios de comida para cão. Tudo o que ultrapassasse esse nível básico parecer-me-ia um filme «de tese» de um realizador islandês maníaco-depressivo ou uma película a cores do saudoso César Monteiro. Digam-me, se conseguirem, quem é capaz de ler Schopenauer depois de vislumbrar por segundos os dentes da Elle Macpherson.&lt;br /&gt;Saí do &lt;em&gt;Pigs&lt;/em&gt; com a leve impressão de que tinha sido raptado por extraterrestres cruéis que me deram a conhecer um mundo maravilhoso e depois me lançaram numa estação de tratamento de águas residuais. Mas não faz mal. É a vida, como diria o outro. Quem? O outro. O outro do outro, que somos nós. Estarei a ficar louco? Porque será que julgo todas as manhãs que o cabo da minha escova de dentes se parece com as curvas sinuosas da Jennifer Lopez? Doutor Balsemão, substitua-me com urgência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-106379094997863817?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106379094997863817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106379094997863817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_09_01_archive.html#106379094997863817' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-106370494068388884</id><published>2003-09-16T02:35:00.000-07:00</published><updated>2003-09-18T04:39:48.633-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>XIII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o apoio da empresa Planeta Agostini, prossegue o cada vez menos circunspecto semanário «Expresso» o coleccionável «Cem Inanidades Sobre Os Lusíadas». Na sua edição de 6 de Setembro, foi a vez de Joana Matos Frias. Obviamente, «ensaísta» (bem-aventurado País com tamanha percentagem de ensaístas e tão poucos ensaios). Vamos a factos: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Creio que a minha primeira vivência consciente da natureza sensorial da poesia se deve ao facto de com 14 anos o tema e os motivos d'&lt;strong&gt;Os Lusíadas&lt;/strong&gt; não me terem seduzido. Decorei com prazer e inconfessa vaidade alguns versos do poema, sem passar da primeira estrofe. E hoje é bastante claro que mesmo essa, repetida até à exaustão, nada mais significou do que a cadência em que me envolveu, levando-me a dormitar ao sol da ocidental praia lusitana no fim da linha só pela semiciente perversão de gozar aquele saboroso conflito entre o metro e a sintaxe e influir no abalo e no sacrifício da ordem». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue-se uma pérola: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«O mais histórico dos poemas foi o que cedo me ensinou a intemporalidade da poesia e a atemporalidade do poema, graças à previsibilidade encantatória das idas e vindas, à circularidade dos avanços e retornos do discurso, à harmonia isossilábica e à pressão métrica, com todo o contorcionismo de tensões e distensões no corpo das palavras que tal coreografia exigia: primeira intuição de que, ao contrário da prosa que marcha, a poesia rodopia». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanta merda de «semiciente», «isossilábica», «pressão métrica», «contorcionismo» e «coreografia» para concluir que «a prosa marcha» e a «poesia rodopia»? Ele é só  ensaísmo e ensaístas e vai-se a ver ainda não saímos da fase «o canto é uma arma».&lt;br /&gt;   &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-106370494068388884?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106370494068388884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106370494068388884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_09_01_archive.html#106370494068388884' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-106301171987448629</id><published>2003-09-08T02:01:00.000-07:00</published><updated>2003-09-08T07:11:48.173-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>XII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma infância na Praia das Maçãs explica muita coisa. A húmida neblina matinal, que cai antes de raiar o dia e só levanta por volta das 18:47 (para deixar cair, às 18:51, a conhecida névoa nocturna), marca, sem dúvida, um destino. Um destino plúmbeo. Sintra é um lugar belo e misterioso, «cheio de encantamentos e sortilégios», mas desde há anos que os prospectos turísticos, por ordem do «moderno» António Ferro e do seu fascista SNI, andam a aldrabar o celebérrimo «Oh, Sintra, Glorious Eden», do não menos célebre pederasta Lord Byron. A versão integral, hediondamente truncada para efeitos promocionais, é, como se sabe: «Oh Sintra, glorious Eden/But the helmet of neblyn always present in your tromb/Makes me feel homesick/of my solareng Albion/Better to escape to Missolonghi with a portuguese &lt;em&gt;marujo&lt;/em&gt;/And those we talk like this are not cox/Like myself». Numa tradução livre dos anos 50: «Ó minha Sintra, és cá um Paraíso glorioso/mas o capacete de neblina que trazes sempre na tromba/Faz-me sentir saudoso/da minha solarenga Albiona/Bem, sempre é melhor fugir para Missalonga com um marujo português/E quem fala assim não é coxo/Como eu» (edição Romano Torres, tradução de Mário Nafarros). &lt;br /&gt;	Nem este intróito poético ameniza o drama de uma infância passada na Praia das Maçãs. Se a isto juntarmos uma educação de matriz inglesa (como João Carlos Espada não teve e gostava de ter tido), é comum, quase fatal, a ocorrência do famoso &lt;em&gt;Apple’s Beach syndrome&lt;/em&gt;, já estudado em artigos científicos vários, dos quais o mais recente e autorizado saiu no &lt;em&gt;British Journal of Medicine&lt;/em&gt;, da autoria de Gloria Swanson, Ph.D. (outra vítima da Praia das Maçãs e da voracidade sexual do clã Kennedy). O sintoma mais evidente deste síndroma, segundo a Doutora Swason, é a condensação da neblina nas bolsas lacrimais. Um &lt;em&gt;case-study&lt;/em&gt; (estudo de caso) desenvolvido pela Doutora Swason, o dos irmãos Jorge e Daniel (nomes fictícios), permitiu descortinar níveis de humidade da ordem dos 98% nas bolsas dos antigos infantes, hoje homens feitos, da Praia das Maçãs (ou Praia Grande, que para o caso vai dar ao mesmo). Curiosa foi a diversidade de reacções dos dois irmãos: Jorge chora copiosamente, sobretudo em cerimónias oficiais e actos de Estado, o que lhe permite uma maior tolerância a outros efeitos secundários do &lt;em&gt;Apple’s Beach syndrome&lt;/em&gt;. Já o nosso Daniel, destituído desta rara capacidade de regurgitar «tudo o que tem lá dentro» (paráfrase ao título de um livro do psicólogo-da-moda-que-só-por-acaso-é-irmão-do-Venerando-Chefe-do-Estado), possui uma ovulação nas bolsas lacrimais que só poderá ser removida mercê de delicada e dispendiosa intervenção cirúrgica. O ar de Ionesco, em todo o caso, não lhe vai mal. Em ambos as situações descritas nota-se outro efeito secundário do síndroma (esse, incurável): Jorge e Daniel trazem estampada no rosto a &lt;em&gt;joie de vivre&lt;/em&gt; de quem acabou de fazer uma colonoscopia profunda. Conceituados psicoterapeutas novaiorquinos distribuem aos seus pacientes mais difíceis fotos de Jorge e Daniel, assegurando ser antidepressivo mais eficaz do que Prozac. Ao olhar para a tristeza daquelas carinhas, quem pode sentir-se no direito de andar deprimido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos, pois, a um texto de Daniel, sempre na cova dos leões. Singelamente intitulado «Rita», até porque ninguém morre sozinho.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Rita&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me como se fosse hoje da tua primeira consulta. Vieste acompanhada da tua mãe e passámos a primeira meia-hora no mais profundo silêncio, só quebrado pelo som roufenho do velho ar condicionado do meu despido gabinete do Hospital (público). Ao fim de meia-hora, perguntaste se podias fumar. Quando te fiz um sinal de assentimento com o queixo, respondeste com uma incontida agressividade: «Pois eu não fumo e odeio que fumem à minha volta». E nisto acendeste um cigarro. Pensei para comigo: «Ai que rico trabalhinho que aqui está! É que só me caem malucos, camandro!». A tua mãe, visivelmente desestruturada, aproveitou para fumar um maço inteiro de «Português Suave», acendendo uns nos outros sem dizer palavra. O silêncio permaneceu por mais meia-hora, durante a qual desenhei cinquenta e quatro Droopys (a personagem de Tex Avery com que me identifico) num bloco Castelo A4, dando à situação um ar profissional. Às tantas, já nem eu me lembrava que estavam duas aventesmas no meu modesto gabinete do Hospital (público), disparaste mais um pouco de ácido: «Porque é que o senhor tem esse ar de palhaço pobre de circo pobre? ». Mais meia-hora de silêncio e foi a minha vez de exercer a (secreta) vingança: «Acabou a consulta por hoje». Levantaram-se ambas, aliviadas. Mas, quando iam a sair, lembrei: «São dezassete mil escudos, minha senhora. Primeira consulta, bem sabe». A tua mãe abriu bem os olhos, como se tivesse levado uma chicotada eléctrica na espinal medula ou pisado um peixe-aranha adulto, numa expressão angustiante do tipo «Ai, que já me deram!». Foi a única reacção que lhe vi nessa tarde. Aliás, sempre me pareceu um pouco apática e alheada, incapaz de compreender a disfuncionalidade do teu drama íntimo (as duas caixas diárias de Valium que o meu colega lhe prescrevera também não ajudavam).       &lt;br /&gt;	Foi assim que passámos as nossas tardes daquela Primavera gentil no meu gabinete despido do Hospital (público). Lá fora, o azul do céu gritava. Um grito de amor que me chamava, instante. E eu, no meu gabinete despido do velho serviço de Psiquiatria, desenhava Droopys e deixava correr os pensamentos: «O que custa ganhar a vida nesta ultraperiferia da medicina convencional... Aqueles cães da cirurgia toráxica andam de Porsches a fazer fortunas e eu com esta maluca à minha frente». Às tantas, pensei usar contigo o método de psicoterapia cognitiva que tinha aprendido com o meu mestre Carl Whitaker, em Madison, Wisconsin. Mas, disse para comigo: «E se a gaja ainda me melhora? Ná, o melhor é usá-la para o meu próximo livro. Vai direitinha para o capítulo sexto. Ou então, se não der, mando-te para já para a semana para a crónica da &lt;em&gt;XIS&lt;/em&gt;» (é o que estou a fazer, de resto).    &lt;br /&gt;  	Percebi desde o início que tinhas um problema de interacção familiar. Também não era de estranhar, se o senhor teu pai dava semanalmente coças de criar bicho na senhora tua mãe («Não dizias que querias mudar de visual? Fazer uma plástica? Toma!»). A química, no entanto, começava a funcionar entre nós. Temi mesmo a eclosão de um fenómeno de transferência, e muitas vezes me acorreu ao espírito a história de Ana O. (nome fictício) e de Breuer, e de Freud e dos pequenos cantores de Viena do princípio de século, tudo gente que passou pela garaganta funda da Senhorita Berta Pappenheim (nome real).   &lt;br /&gt;              Vou dar-te a iniciativa, Rita. Começa tu. O que chegar primeiro espera pelo outro. Foi assim, seguindo esta via paciente e sinuosa, que te foste abrindo comigo, deixando fluir a dinâmica de uma afectividade que te faltava em casa. Trilhámos juntos um caminho nosso, por entre veredas que a razão dos homens nem sempre alcança. Até ao dia que te cantei uma música dos Chat Sauvages que nos anos 60 ouvíamos nos fins das tardes de Verão da Praia Grande, no meio da névoa. Ao ouvir-me entusiasmado no refrão («Quand vient la fin de l’été, sur la plage»), uma enfermeira mais desconfiada entrou a perguntar se precisávamos de alguma coisa. Nunca gostei dela.  &lt;br /&gt;	Não tenho a pretensão de ter resolvido os teus problemas. Abriguei-te apenas debaixo da minha asa gasta e fendida de tantas inquietações. Partilhei os teus dramas, numa cumplicidade de afectos que ainda hoje permanece. E, como de costume às sextas, teu pai continuou a arriar forte e feio. &lt;br /&gt;                A estrada que percorremos juntos estava cheia de escolhos. Quando tudo parecia avançar, regredias dois meses (o que, em direitas contas, significava cerca de 253 contos de prejuízo para os progenitores, ao índice de preços da altura). Depois, avançavas um pouco. Deixavas cair uma palavra que me permitia estabelecer uma ligação longínqua com uma outra que havias dito três semanas antes (mais precisamente, há 57 mil escudos atrás). Lembro-me perfeitamente: numa tarde de Junho, disseste, não sem insolência: «Esta merda não vai pr’á frente?». E eu de imediato associei o termo-chave («merda») ao pedido que tinhas feito para ir à casa de banho em finais de Abril. Não me enganaria no diagnóstico, como adiante se verá. Soube desde o início que a tua vertigem de vida ainda ia dar merda. &lt;br /&gt;             Fui o guia da tua viagem. A &lt;em&gt;tua &lt;/em&gt;viagem. Começávamos a fazer progressos. Mas era um trabalho de Sísifo: como já começavas a ganhar corpo, o teu pai achou por bem passar a malhar em ti, deixando em paz a velhota. Seria também um fenómeno freudiano de transferência? O que é certo é que a tua mãe passou a andar mais direita e largou os óculos escuros. Sempre atento aos sinais, o meu colega baixou-lhe a dose diária para uma caixa de Valium (não comparticipado).    &lt;br /&gt;	Pouco tempo tivemos de falar da tua vida afectiva. Soube de uns namoricos na caixa do elevador, um dos quais por pouco não acabou com os dois amantes esborrachados, Heloísa e Abelardo dos tempos modernos. Soube também de uma gravidez ectópica, até perceber que tudo não passara de uma construção de realidade alternativa que imaginaste a partir da leitura do consultório sexual da revista &lt;em&gt;Maria&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;	À nonagésima segunda sessão, o teu pai apareceu. Disse-me que o método que usava, a porrada semanal, se inscrevia no contexto de um programa credenciado pelo Mount Sinai Hospital. Como duvidasse dele, propôs-se experimentar em mim o que aprendera nos Estados Unidos. Passei de imediato a acreditar no método. Aquelas mãos peludas e calejadas de cavador foram, sem dúvida, um bom argumento científico. &lt;br /&gt;               Soube há dias que te tentaste suicidar ingerindo uma caixa de laxante Agarol (não comparticipado) numa casa de banho do Colombo. Na porta do WC rabiscaste, num grito de desespero: «Se um diário sério e de referência como o &lt;em&gt;Público&lt;/em&gt; lança uma colecção de livros de auto-ajuda com o nome &lt;em&gt;Xis-Livros para Pensar&lt;/em&gt;, declaro que deixei de acreditar na espécie humana». Os efeitos secundários do teu gesto, um gesto que eu tinha previsto, ficaram à vista na invocação de objecção de consciência e na greve de zelo, que ainda hoje se prolonga, de todas as 37 empregadas caboverdianas da Limpotécnica, empresa responsável pela higiene dos sanitários do Centro Comercial Colombo. Caso não saibas, a ala norte do referido estabelecimento comercial continua vedada ao grande público em geral (porque é que o «grande público» tem de ser sempre «em geral», explicas-me, Rita?).&lt;br /&gt;	Cheguei à conclusão que, ao fim de 553 sessões de hora e meia, pouco tempo tivemos para nos conhecer. Precisaria talvez de mais umas 1.534 consultas para penetrar no âmago da tua inquietude. Não foi possível criar uma comunidade comunicativa médico/paciente, apesar ter rebentado com um orçamento familiar de classe média-baixa de duas décadas. Teu pai foi obrigado a colocar no Fiat 1600, que tanto polia e amava, o conhecido dístico «Olá! Procuro um novo dono! Tel. 2135677896 (só à noite)». Imagino que, depois desta, as sessões do método do Mount Sinai Hospital se tenham intensificado.&lt;br /&gt;                Adeus, Rita. Tropeço de ternura por ti. 	&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-106301171987448629?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106301171987448629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106301171987448629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_09_01_archive.html#106301171987448629' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-106207792409034477</id><published>2003-08-28T06:38:00.000-07:00</published><updated>2003-09-01T02:12:51.796-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>XI. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que falamos quando falamos de uma «Grande Senhora»? Geralmente, de fado. A «Grande Senhora» do fado não é, ao contrário do que pensa a comunidade gay lisbonense, a «dona Amália», mas sim a Srª D. Hermínia Silva, como todos sabem ou deviam de saber. &lt;br /&gt;É possível, em todo o caso, explorar a plasticidade do conceito de «Grande Senhora» e estendê-lo a outras realidades. Assim, por exemplo, é indiscutível que, a par de Agustina, Guilherme de Melo pode legitimamente ser considerado uma «Grande Senhora» das letras nacionais. Ainda que já um pouco empalhado, Eládio Clímax é também, seguramente, uma «Grande Senhora» da televisão portuguesa.&lt;br /&gt;No respeitante aos jornais, a designação de «Grande Senhora» é tão evidente que não carece ser nomeada. &lt;br /&gt;Eis, pois, uma crónica da Hermínia Silva da nossa imprensa escrita: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pátio anda alvoroçado. A fiel Maria Augusta foi buscar carapaus para o almoço, que a Zézinha e o Jaime vieram de propósito de Madrid para estar connosco. Há noite, vou onde sempre se dirigem os meus passos: o Oeste. Há o lançamento de um livro de um jovem poeta e professor do secundário da Lourinhã, Arnaldo Bastos (quem olha para estes valores?), com o título «Mares Gelados». Não quero perder. Mas, até esse momento esperado, que correria! Ida ao cabelereiro (o Lalu, um brasileiro que conhece melhor as minhas madeixas do que eu própria), ler os jornais do dia (e não há mais nada do que a Casa Pia? &lt;em&gt;Finis patriae&lt;/em&gt;!), passar pelo novo estádio do «glorioso» para (mais) um copo com o Manuel Vilarinho e, claro, o indispensável café na «Kindy», a pastelaria onde ouço as estórias da gente simples do bairro. Entretanto, a filharada pressente-se na velha casa. O Bernardo trouxe uns amigos para fazerem um trabalho no computador e deitaram-se às tantas, por entre livros de Física e Astronomia (um pandemónio!). A Matilde quer começar a aprender culinária com a pobre da Maria Augusta e a cozinha está num caos, com «palitos Larrène» e «marquises au chocolat» que não resultaram (no meu tempo, uma jovem bem nascida tinha apenas de guiar-se pelo Pantagruel e pelos conselhos das criadas).&lt;br /&gt;Cinco da tarde: passagem pela SIC, dois dedos de conversa com o Francisco (ainda o mesmo fato queimado dos tempos terminais da AD!) e deito-me a correr para o Méridien. Não posso faltar à «vernissage» de um amigo, o Lourenço Távora, e fico fascinada com as cores suaves da sua mostra «Quadros Para Átrios de Hotel». A música de Richard Cleyderman acalma-me. Mas tenho de me despachar a caminho do «meu» Campo Grande. &lt;br /&gt;Sete: a luz, a eterna luz de Sophia, cai sobre a cidade. Mas como gozá-la? Trânsito infernal (então, doutor Santana Lopes?). Telefono à Sum-Sum para saber como correu a última produção (diz-me que há um modelo novo do Zimbabué, de um ébano azulado espectacular). Uma breve passagem pela Hermès do Chiado para ver se me facilitam uma carteira e uma «écharpe» para a noite («Na terça devolvo, Sueli!!!» – grito da porta para a balconista brasileira, que me olha com um ar ainda atordoado). Ufff!!! Chegada a casa, fazer o saco, dar umas boas taponas nesta atrasada da Maria Augusta (com 109 anos de idade, 103 de casa e ainda não sabe abrir o Outlook para ver se lhe mandei algum recado por e-mail! Não é um desespero?). Ainda tenho de levar os cães a passear no pátio, onde aproveito para trocar umas impressões sobre Nietzsche e Georges Sorel com o Jaime. A Zézinha já fechou a casa de Madrid. A Misericórdia está a dar-lhe um trabalhão. Por isso, não quero incomodá-la no seu banho «relax» de camomila e cascas de batata. Quem me dera fazer o mesmo! Mas é forte, muito mais forte, o apelo do Oeste. «É para lá onde regresso/Sempre que quero ser/Flor de Combate/Rosa, rosando em botão de Abril/P’lo mar dentro em busca do sargo/Sargo, sargaço, sarda/Muita voz há para ela/Para esta voz de barítono/Um barítono do Oeste» (Manuel Alegre, «Ode à Porcaria das Praias Geladas do Oeste», um poema magnífico do seu último, imperdível, «Arte de Marear»).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mjavillez@expresso.pt &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-106207792409034477?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106207792409034477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106207792409034477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_08_01_archive.html#106207792409034477' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-106191037171638801</id><published>2003-08-26T08:06:00.000-07:00</published><updated>2003-08-28T06:40:05.620-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>X. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prezado Professor João César das Neves&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabemos que anda  muito ocupado. Entre o mais, a arranjar aquela risca do seu cabelo que lhe dá o ar distinto de gerente do balcão da CGD do Largo da Graça. Por isso, disponibilizámos um texto que certamente não desdenhará subscrever. Numa altura de aperto, é com o maior prazer e devoção que o autorizamos a publicá-lo como se fosse da sua autoria. Não precisa, como alguns agnósticos, de recorrer à «New Yorker» ou outras publicações hedonistas. O trabalho chama-se «A Cruz de Einstein» e foi um pouco escrito a pensar em si: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A Cruz de Einstein&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Cruz de Einstein é um fenómeno em que a luz de um quasar situado a uma distância de cerca de quatrocentos milhões de anos-luz do nosso planeta se dobra no seu trajecto pelo campo gravitacional de uma galáxia, produzindo quatro imagens brilhantes no espaço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É extraordinário pensar que um dia, numa casa de Ulm, houve uma criança que chorou e dormiu para desvelo dos seus pais, e que o apelido dessa criança acabaria por ser inscrito na poeira das estrelas, nomeando um fenómeno velho de quatrocentos milhões de anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma tal maravilha só é concebível se acreditarmos que naquele bebé adormecido em Ulm havia a centelha de algo maior que o universo, a Cruz de Einstein e o ser humano que lhe deu o nome. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Gostou? Pode usar quando quiser. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-106191037171638801?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106191037171638801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106191037171638801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_08_01_archive.html#106191037171638801' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-106190922260527614</id><published>2003-08-26T07:47:00.000-07:00</published><updated>2003-09-01T02:14:17.483-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>IX. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Importa guardar para a posteridade um delicado fragmento do leve texto que, a propósito da obra  «Os Lusíadas», Filipa Melo (escritora e jornalista) deixou publicado no jornal «Expresso» nº 1608: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;«Reencontrei &lt;strong&gt;Os Lusíadas&lt;/strong&gt; já na idade adulta e li-o, não com a talvez desejável disciplina e respeito pela continuidade e totalidade do poema, mas com toda a atenção focada na oficina camoniana subjacente à construção narrativa, à essência épica e à inspiração lírica que a envolve. &lt;br /&gt;A questão maior e mais grave, a de me posicionar perante a tradição de uma nacionalidade firmada na real e objectiva grandeza do feito dos Descobrimentos, mas também na sua (des)responsabilizadora mitificação, só a resolvi muito recentemente, quando, para a revista «Egoísta», me propus escrever um conto que tomasse Portugal como figura heróica. E foi precisamente no confronto do Canto V e do episódio do Adamastor com &lt;strong&gt;A Mensagem&lt;/strong&gt; e o seu Monstrengo que confirmei a possibilidade de uma releitura da lição nacional camoniana. O que em Camões eram tentativas de superação do desânimo nacional já instalado e de recuperação da glória épica agora num novo cenário (Norte de África), em Pessoa, já sem Índias para desvendar, redescobri-o como uma chama alimentada por aspirações desencantadas, mas ainda convictas das potencialidades futuras, espirituais, dignas de um povo. Em ambos, o respeito pelas heranças do passado é motor de futuro, essencial lição de sentimento nacional, à qual, de facto, nenhuma geração deverá permanecer indiferente ou ignorante».  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-106190922260527614?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106190922260527614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106190922260527614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_08_01_archive.html#106190922260527614' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-106128774534350794</id><published>2003-08-19T03:09:00.000-07:00</published><updated>2003-08-26T06:51:33.786-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>VIII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Correspondendo a um insistente apelo da Oficina do Livro, S.A. (porque não «Companhia do Livro» ou «Coisas de Livros»?)  procede-se de seguida à pré-publicação de fragmentos esparsos de &lt;em&gt;Sem Mamas&lt;/em&gt;, já conhecido como  «o próximo sucesso de Margarida Rebelo Pinto». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No &lt;em&gt;press release&lt;/em&gt; fornecido pela casa editora, esta orgulha-se de publicar, além de valores seguros como «a Margarida», textos de autores alternativos. Eis os seus depoimentos: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Devo à Oficina do Livro, editora que aposta também em títulos de circulação lenta, a publicação do meu trabalho &lt;em&gt;A Política&lt;/em&gt;, pela qual esperei tantos séculos. A Oficina mudou a minha vida» (Aristóteles). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Também disseram que os meus &lt;em&gt;Essais&lt;/em&gt; eram fúteis mas, pelos vistos, têm saído bem» (Montaigne). &lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;«Só na rede Continente consegui colocar cerca de 10.000 exemplares do &lt;em&gt;Finnegans Wake&lt;/em&gt;. Assim dá gosto trabalhar» (James Joyce). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos então ao primeiro capítulo de &lt;em&gt;Sem Mamas&lt;/em&gt;, «o próximo sucesso de Margarida Rebelo Pinto»: &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Merda!&lt;br /&gt;A campainha da porta não parava de tocar. Estava atrasadíssima.&lt;br /&gt;O Rodrigo, sempre querido, passara para me buscar para o meu primeiro dia de trabalho. Era ele, de certeza (o canalizador e o carteiro têm a chave). &lt;br /&gt;Arranjo-me à pressa, ponho um pólo branco e umas calças limpas. Checar se tenho tudo: o telemóvel, o molho das chaves, o maço de Marlboro Light, o creme de algas e o último Paulo Coelho (não sei o título, mas mexe cá dentro). Pronta para o primeiro dia! Do resto da minha vida...&lt;br /&gt;Cá fora, o Rodrigo espera-me encostado ao carro, a folhear displicentemente o &lt;em&gt;TLS&lt;/em&gt; por detrás de uns óculos escuros que escondem o olhar que grita: «Não percebo nada do que está aqui escrito mas tenho de impressionar a miúda». Este pensamento deixa-me lisonjeada. Esboço um leve sorriso, que o Rodrigo interpreta como nervosismo de primeira dia de trabalho.&lt;br /&gt;- Não, não estou nervosa. Só estou um pouco tensa. Mas isto passa-me. &lt;br /&gt;- Acalma-te bébé (odiava quando me tratava assim). Vais ver que toda a gente vai gostar imenso de ti lá na empresa. &lt;br /&gt;- Prontos, já passou. Já estou um pouco melhor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinco da tarde. Acabou-se o primeiro dia de trabalho. Foram todos muito simpáticos comigo na empresa do pai do Rodrigo. E já aprendi que se carregar ctrl+alt+del o écran fica todo branco e é uma seca.&lt;br /&gt;O Rodrigo, já de casaco pelos ombros e com a gravata  de ursinhos (horrorosa!) a meia-haste, convida-me para jantar. Hesito. O Rodrigo é querido, mas sei que não posso dar-lhe esperanças. &lt;br /&gt;«A menina lembre-se sempre que é uma Pele de Cão e os Pele de Cão não se misturam», dizia-me a avó Lena em miúda, quando eu saía para brincar com os filhos dos caseiros da quinta. &lt;br /&gt;É verdade. Trago sobre os ombros o peso de ser uma Pele de Cão. E o Rodrigo é um Pulguinha. Há gerações que, fazendo jus ao nome, os Pulguinha tentam misturar-se com os Pele de Cão. Imagino o apelido de casada: «Pele de Cão Pulguinha». Que horror! Se ainda fosse «Pulguinha Pele de Cão». Como poderia ter filhos dele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos, bébé?, insiste o Rodrigo. Fico com pele de galinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que os Pulguinha ajudaram os Pele de Cão a seguir ao 25 de Abril, quando fomos para Madrid e o Pai gastou o que nos restava a jogar &lt;em&gt;gin-rummy&lt;/em&gt; no Ateneo com o doutor Jaime Nogueira Pinto (e rematou fugindo com uma dançarina do histórico Pasapoga). Triste destino, o do Pai. Empresário católico (com preocupações sociais) nos tempos do marcelismo, culminaria a sua carreira profissional como arrumador num teatro de zarzuela da &lt;em&gt;Calle Calderón&lt;/em&gt;. Ainda me lembro do mano mais velho, o Gumersindo, a pôr uns &lt;em&gt;Ray-Ban&lt;/em&gt; anos 70 e fazer-se de ceguinho para ir buscar o subsídio da &lt;em&gt;Once&lt;/em&gt; com que dava de comer à Família. Decididamente, a história da nossa «revolução dos cravos» ainda está por fazer...  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho &lt;em&gt;mixed feelings&lt;/em&gt; em relação ao Rodrigo. Será que estou a criar-lhe falsas expectativas? Ou estarei a tratá-lo assim por gratidão pelo que fizeram pela Família? A última coisa que queria era brincar com os sentimentos do Rodrigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, Rodrigo. Obrigada, mas estou um pouco cansada. &lt;br /&gt;- É a descompressão do primeiro dia, miúda. Olha, vai para casa tomar um duche que eu apanho-te às nove e vamos comer um &lt;em&gt;sushi&lt;/em&gt; a um sítio fantástico à beira-mar que eu conheço. Com sorte, ainda podemos ver o pôr-do-sol junto ao caneiro de Algés.&lt;br /&gt;- A sério, Rodrigo, estou cansada. Obrigada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me perdoo a mim própria ter-lhe mentido. Mas qual a mulher que não trocaria um jantar com o Rodrigo por um encontro com as amigas dos tempos do colégio? 	&lt;br /&gt;Houve uma altura em que achava os «jantares-galinha» (como nós lhe chamamos) um tédio. Todas tinha acabado de ser mães (&lt;em&gt;sauf moi&lt;/em&gt;!) e só falavam de fraldas, crianças e das vantagens da amamentação intravenosa. Agora que está tudo divorciado voltaram a ter graça. Ou serei eu que estou a ficar velha? &lt;br /&gt;- Não, não é nada do que estão a pensar. Juro!&lt;br /&gt;- Cuidado com o Rodrigo, menina... É um predador. Já nos passou a ferro a todas e só faltas tu para o palmarés!  &lt;br /&gt;- Palmarés ou &lt;em&gt;ranking&lt;/em&gt;?, pergunta a Sophia, mediterrânica, sempre nas suas nuvens poéticas.&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Ranking&lt;/em&gt; é no ténis, palmarés na Fórmula Um, diz a mais pragmática Agustina (um romance/semestre). &lt;br /&gt;- De ténis, percebes tu, Agustina..., replica a Lídia, numa alusão obscena, que todas partilhámos, ao caso que aquela mantinha com o seu &lt;em&gt;personal trainer&lt;/em&gt;.  &lt;br /&gt;- Ó Lídia, desde que publicaste os «Guindastes» estás impossível!&lt;br /&gt;Irrompemos todas numa gargalhada. Uns executivos japoneses, sentados na mesa do lado, deitaram-nos um olhar reprovador. No Japão não deve de haver mulheres independentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Pedro leva-me ao Algarve a passar o fim-de-semana. «Agora com a auto-estrada é uma maravilha». 98% das pessoas na área de serviço estavam a dizer isto. «Em duas horas pomo-nos cá» «Sim, duas horas, duas horas e meia, faz-se». «Não. Duas horas». Sim, duas horas, duas horas e meia». «Duas horas e mais nada!» (este diálogo entre cunhados prenunciava 15 dias de férias estragadas para duas famílias da região de Aveiro). Os restantes 2% da esplanada liam sagas islandesas medievais no original. &lt;br /&gt;À noite, a Casa do Castelo abarrotava de gente a dizer que detestava «o social». &lt;br /&gt;Vestido de homenzinho (&lt;em&gt;par une fois&lt;/em&gt;...), o José Castelo Branco diz-me que o taxidermista anda a ter montes de trabalho com a Betty: &lt;br /&gt;- O problema é que ela está sempre a mexer-se!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo ao longe o Gonçalo e a Mitilene. Ainda hoje me envergonho sempre que os encontro. Sei que não me devia ter metido com o marido da minha melhor amiga. Para mais, eles pareciam sempre tão bem um com o outro, uns filhos loiros na praia, giríssimos. Mas teve de ser. Eu não queria, mas a autora deste &lt;em&gt;Sem Mamas&lt;/em&gt; obrigou-me.&lt;br /&gt;- Ou te metes com o Gonçalo ou ponho-te paraplégica num acidente de viação logo na página 4! &lt;br /&gt;- Não posso ao menos entrar em coma num desastre hípico lá para a página 53?, ainda tentei negociar.&lt;br /&gt;- Não! Já tenho marcada a plástica com o Chico Ibérico e o livro tem de sair para a reentré! Não vês que o meu agente diz que tenho de incrementar o peito? Sou o autor da Oficina com menos mamas, homens incluídos! Estou farta que me chamem «Tábua d'Arrasar»! E um &lt;em&gt;affaire&lt;/em&gt; com o marido da melhor amiga é um clássico que vai sempre bem. &lt;br /&gt;- Prontos, aceito. Mas arranjas-me ao menos um dos teus «orgasmos inesquecíveis» que se prolongue aí pelas folhas 44 a 46?&lt;br /&gt;- Vou ver o que se pode fazer. Mas não prometo nada, replicou, ríspida, a Autora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que me vi num quarto do Albatroz a trair a minha melhor amiga. A Mitilene, que horror! O que nós passámos juntas: os primeiros charros no Ramalhão, comprados à madre Purificación, os amores de Verão em São Martinho, as batatas fritas de praia, a primeira IVG, baratinha, na Clínica Los Arcos. E quando eu tive de lhe explicar que «clímax» não era uma marca de tampões? Tanta coisa! Se ao menos fosse a Nampula ou a Cunene, essas parvas. Mas agora a Mitilene era demais! &lt;br /&gt;Com o Gonçalo por cima de mim, uivando «Goooolo!», olhava o salitre marinho no tecto do quarto e percebi que tinha de dar uma volta à minha vida. O Gonçalo terminou com um lancinante «Tora! Tora! Tora!».  &lt;br /&gt;Na manhã seguinte, o &lt;em&gt;groom&lt;/em&gt;, rapaz onde despontava o buço, olhou-me com o sorriso trocista de quem cala cumplicidades lúbricas («Nestes livritos a menina passa a vida aqui no hotel. E é página-sim, página-não com um homem diferente. Granda puta me saístes!»). Estava destroçada. Ao que descera a linhagem multissecular dos Peles de Cão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«A menina lembre-se que é uma Pele de Cão...». O aviso da avó Lena ecoava nos meus ouvidos. «E os Peles de Cão não se misturam». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí do hotel decidida. Tinha de falar depressa com outros personagens de Margarida Rebelo Pinto. E isto antes que ela percebesse! Não havia grandes riscos, pois a Margarida não volta atrás para ler o que acabou de escrever (como está a acontecer com este texto, por exemplo). Tinha portanto alguns dias antes que o &lt;em&gt;Sem Mamas&lt;/em&gt; chegasse aos hipermercados.&lt;br /&gt;O telemóvel foi uma grande invenção do século XVIII. Nuns minutos, tinha reunido nada menos que 34 personagens de Margarida Rebelo Pinto. Alugámos um polidesportivo inacabado em Agualva-Cacém e lançámos nessa histórica reunião exploratória as bases organizativas daquilo que veio a ser o Sindicato dos Personagens de Margarida Rebelo Pinto (SPMRP). Neste momento, não posso, nem devo, omitir o apoio que, na fase inicial do SPMRP, nos foi dado pelos camaradas do mais experiente Sindicato dos Personagens de Maria João Lopo de Carvalho (SPMJLC). Obrigado! Ainda embrionário, o Sindicato dos Personagens de Cristina Caras Lindas (SPCCL), pelas suas atitudes cisionistas, não tem sabido dar-se ao respeito do operariado e do mundo laboral em geral. Lamentamos dizê-lo, mas é uma verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso é sério. A vida de um personagem de Margarida Rebelo Pinto não é fácil, acreditem. Escravizados sexualmente, somos obrigados a trocar de parceiro uma média de 7,03 vezes em cada romance de 150 páginas. Devo acrescentar que este comportamento de risco não é acompanhado, como bem devia, dos respectivos testes de HIV. Além disso, ninguém nos livra da Margarida acordar mal-disposta e matar-nos num acidente de ski em Courchevel logo ali ao virar do segundo capítulo, deixando uma ranchada de filhos por criar. Por bem conhecido do grande público, escuso-me ainda de aprofundar o drama da nossa colega de ofício, a pequena Martha Telles de Menezes, que no &lt;em&gt;Sei Lá&lt;/em&gt; foi violada por um grupo de 423 lapões (repito por extenso: quatrocentos e vinte e três lapões) num fim de semana alucinante nos fiordes da Noruega. Quem se lembra dela? A Margaridinha não é de certeza!&lt;br /&gt;Não temos contrato de trabalho nem subsídios. Nem há horários. Para mais, como a Margarida é muito desleixada com os enredos, revelando total desconsideração para com os seus empregados, já aconteceu a um rapaz, que pretende guardar o anonimato, encontrar-se no Lux às 5 da manhã e em Búzios meia-hora depois. Haja mais respeito por quem trabalha, Margarida! Um homem (neste caso, um personagem) não é de ferro!&lt;br /&gt;Quanto às chamadas «regalias da empresa», essa figura mítica do mundo laboral, deixam-nos beber bons vinhos brancos e dormir em hotéis de luxo na Quinta do Lago mas é tudo tão a correr que nem temos tempo de gozar nada daquilo. Além disso, quando vamos para esses sítios bons vamos em trabalho. Não vamos a passar férias. O patronato (neste caso, a Margarida, mas podia ser outrem) anda a encher-se à nossa conta e não vê que, para usar terminologia fiscal, somos uma profissão de desgaste rápido. Daqui a dois ou três anos ninguém se lembra de nós. Daqui a dez anos ninguém se lembra sequer de quem foi a Margarida Rebelo Pinto, com mamas ou sem. &lt;br /&gt;Sim, e agora eu pergunto: nessa altura, quem é que vai olhar pela gente? Quem é que se vai preocupar com os nossos filhos, que entretanto cresceram e ganharam corpo? É a Oficina do Livro que lhes vai pagar os estudos? &lt;br /&gt;Na última ronda de negociações com a entidade patronal, fizemos uma proposta honesta e exequível: por cada exemplar vendido do &lt;em&gt;Sem Mamas&lt;/em&gt; reverteria um euro para a Casa do Artista-Personagem de Margarida Rebelo Pinto, IPSS. Não daria para tudo, mas sempre era uma ajuda. O nosso caderno reivindicativo passa ainda pelo reconhecimento, por parte da administração tributária, do estatuto de «atletas de alta competição» (dada a frequência dos nossos contactos sexuais) ou de «profissão de desgaste rápido» (pelas razões atrás enunciadas). &lt;br /&gt;Por ora, enquanto não abrimos a já tradicional conta de solidariedade na Caixa Geral de Depósitos, pedimos-lhe tão-só que auxilie a nossa campanha adquirindo &lt;em&gt;Sem Mamas&lt;/em&gt;, certamente um próximo sucesso de Margarida Rebelo Pinto.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-106128774534350794?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106128774534350794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106128774534350794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_08_01_archive.html#106128774534350794' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-106068174918338924</id><published>2003-08-12T02:49:00.000-07:00</published><updated>2003-08-28T11:45:15.806-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>VII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de nos servir o mesmo prato vai para uma série de anos, e de quando em vez forçar a metaforazinha sem graça, não há dúvida de que o Doutor Quitério criou uma «escola». O problema está exactamente aí. Na «escola» Quitério. Depois de Quitério, o Velho, toda a gente que escreve sobre «coisas de comer» tenta escrever como Quitério. Até miúdos de vinte e poucos anos, que invariavelmente se designam a si próprios como «escribas» («entrou o escriba no santuário de degustação», «o escriba atacou de seguida o mítico pata negra do &lt;em&gt;Botín&lt;/em&gt;»...). As críticas gastronómicas portuguesas tornaram-se, assim, em fastidiosas variações em torno do inconfundível estilo-Quitério. Lá estão sempre os mesmos arcaísmos à espreita em cada parágrafo, as pitadas literárias para mostrar que o pessoal da crítica gastronómica não é só enfardar, os requebros de escrita nascidos de uma relação contra-natura entre Camilo Castelo Branco e Astor Piazzola. O estilo-Quitério, enfim. Mesmo Quitério imita Quitério de há muito tempo a esta parte. Há excepções claro: o volumoso crítico musical/gastronómico do DNA nem a porra de uma crónica &lt;em&gt;à la Quiterio&lt;/em&gt; é capaz de confeccionar. Mas as suas incursões sobre caipirinhas e margaritas ficam sempre bem num suplemento ultraleve, que mais não é que um pretexto para mostrar gajas com mamas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sintetizar o estilo-Quitério?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Comece por um enquadramento do lugar, se possível com duas ou três referências eruditas e, melhor ainda, de autores oitocentistas. Camilo ou Eça fazem sempre um bom acompanhamento. Em caso de aperto, admite-se Aquilino, mas só por causa dos seus pergaminhos reviralhistas. Estrangeiros, nunca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Depois, faça um &lt;em&gt;soufflé&lt;/em&gt; da sua crónica, de modo a que a mesma, ainda que escrevendo pouco, tenha o número de caracteres suficientes para pagar a renda de casa no final do mês. O segredo: copie toda (repete-se: &lt;em&gt;toda&lt;/em&gt;) a lista/ementa/cardápio/menu/carta para dentro do texto. Não esquecer os preços.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) Desenvolva o texto com recurso à económica técnica «bitoque». Como o próprio nome indica, a técnica «bitoque» consiste no trabalho da frase a dois toques, de preferência de forma disjuntiva: «serviço atencioso, mas sobre o demorado», «lista de vinhos curta, mas honesta» e por aí fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) Guarde no final umas linhas para descrever o espaço, mesas e talheres e mais umas palavras para atendimento e diversos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) Atenção: o estilo Quitério é um estilo viril, macho, de homem para homem. Mulheres e outra bicharada devem abster-se de imitá-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Um exercício difícil: o &lt;em&gt;MacDrive&lt;/em&gt; de Louriçal do Campo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Entra-se numa curva da estrada nas faldas da Gardunha e está o viandante em Louriçal do Campo. «Povoação pequena e formoza, destaca-se pela frescura das águas e riquesa de seus soitos», informa-nos o sempre útil Pinho Leal. Dos soitos de carvalhos que, reza a lenda, abrigaram as tropas de Junot, é que viste-los nesta era de «pugresso», como diria um nosso antigo primeiro. A paisagem, que mereceu um tenebroso poema de Gomes Leal, encontra-se agora conspurcada por «maisons» de emigrantes, bares de alterne e casas de «fast food». Ao final da Rua Direita, junto ao adro da Capela da Assunção, encontra-se, majestoso e impante, o&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;MacDrive&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espaço de degustação amplo e arejado, amesendração limpa e condizente. Decoração sóbria, como convém. Pouco cuidado na utensilagem de manducação, que se não encontra à vista do freguês incauto. Se pretender talher, deve pedi-lo à simpática menina do balcão. &lt;br /&gt;Em matéria de entradas, escolheu-se, na primeira investida à casa, o «Chicken MacNuggets» (3 euros). Pedacinhos de frango, em que o lerdo palmípede vem levemente crostado, e é embebível em dois molhos à escolha: «rodeo», numa escusada homenagem ao imperalista George W., ou «barbacue», alusão frescalhota aos glúteos traseiros de dona Barbara Bush, mãe do referido George.       &lt;br /&gt;Seguindo-se as coisas sérias, que os eflúvios de Louriçal abrem os apetites, regista o cardápio, em ordem ascendente de preçário, o «MacRoyal» (4 euros), o «MacDe Luxe» (4,5 euros), o «Mac Iver» (6 euros) e, para quem tiver estômago e carteira para tanto, o «Mac Super De Luxe» (12 euros/para duas pessoas). Lista de vinhos a roçar o curto, mas bem seleccionada.  &lt;br /&gt;O «Mac Royal» apresentou-se escorreito nos temperos. Acompanhamento honesto de batata frita no ponto. Enquanto D. Júlia se mantiver a capitanear os fogões deste «Mac Drive» poderá descansar o visitante na qualidade da batata frita: sempre no ponto, sem óleos ou outros modernismos.  &lt;br /&gt;Avançou-se de seguida para um «Mac De Luxe», menos conseguido no modo como se trataram as carnes do reco. O simpático bichinho que nos foi submetido à apreciação já devia ir entradote na idade adulta, pelo que a sua vianda deixou um travo sobre o àspero no palato. Assim não, dona Júlia! &lt;br /&gt;Na segunda viagem, debicou-se o «Mac Iver», que surge apresentado à maneira tradicional, seguindo a receita canónica do inultrapassável Oleboma, agasalhado em duas fatias de pão caseiro com sésamo e acompanhantes molho da casa. Valorosa batata, como de hábito.    &lt;br /&gt;Em capítulo doceiro, ficaram os olhos no «sundae» de pêssego (3 euros), mas tivemos de nos contentar com um «muffin» de chocolate (2 euros), que deu boa conta do recado. Chegou à mesa em excelente forma, fresco e apetitoso, e de vê-lo a comê-lo foi um instante.  &lt;br /&gt;Rematou-se o ágape com aguardente do Louriçal, com gosto de papel timbrado dos tempos da Brasileira de Prazins. Preços sobre o carote, mas um dia não são dias. Serviço discreto, mas eficiente.  &lt;br /&gt;Enquanto dona Júlia se mantiver por lá, este «Mac Drive» vale a viagem. Tudo somado e repartido, nota francamente positiva para esta casa e desejos sinceros de que assim vá caminhando, como diria &lt;em&gt;nuestro hermano&lt;/em&gt; Antonio Machado».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MacDrive&lt;br /&gt;Louriçal do Campo&lt;br /&gt;Estrada da Gardunha&lt;br /&gt;Encerra às quintas&lt;br /&gt;Aceitam-se cartões de crédito &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-106068174918338924?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106068174918338924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106068174918338924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_08_01_archive.html#106068174918338924' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-106068152308147715</id><published>2003-08-12T02:45:00.000-07:00</published><updated>2003-08-12T02:45:22.943-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>VI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O «Expresso-Economia», de 9 de Agosto de 2003, publicou, na sua página 12, uma notável entrevista com Gonçalo Reis, assim apresentado por aquele prestigioso semanário: «Gonçalo Reis, 34 anos, é administrador da RTP. Casado de fresco, licenciado em Economia pela Católica, tem um MBA tirado em Chicago. Fundador do grupo de reflexão Missão Portugal, foi também deputado do PSD durante três meses. Gosta de pessoas que acreditem no futuro. Os piores defeitos são o medo e o imobilismo». &lt;br /&gt;	Na histórica entrevista, da responsabilidade da jornalista Ana Rodrigues, o jovem administrador da RTP profere, a dado passo, a seguinte afirmação: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Optar significa escolher»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Meditemos nesta frase. Paremos a azáfama dos dias para pensarmos como é possível um jovem de 34 anos produzir reflexão tão profunda. Interroguemo-nos sobre qual o lugar onde se deu a gestação de um pensamento tão denso: a licenciatura à Palma de Cima, o &lt;em&gt;Masters&lt;/em&gt; nas Américas ou os três meses por corredores de S. Bento. Inclinamo-nos a julgar – mas isto é apenas uma intuição! – que só a pertença a um grupo de reflexão (no caso «Missão Portugal», mas podia ser outro) permite alcançar toda a complexidade de uma frase que Wittgenstein não desdenharia: «Optar significa escolher». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	A entrevista, cuja riqueza aqui não poderemos reproduzir na íntegra, apresenta ainda outras pistas para uma nova filosofia. A muito custo, seleccionaram-se as seguintes reflexões:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Não podemos continuar a ser um país de remendos»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Deve ser evitado tudo o que seja proteccionismo e reduzir a tónica nas políticas sectoriais para as políticas transversais»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Para fomentar a inovação só tem de se abrir a concorrência e abrir os sectores»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	«Quem tem quota de mercado tem de se adaptar»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	É a este &lt;em&gt;jeune philosophe&lt;/em&gt; que se encontra confiada a administração de uma empresa com 1800 trabalhadores e 230 milhões de euros de custos operacionais no ano corrente. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-106068152308147715?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106068152308147715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106068152308147715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_08_01_archive.html#106068152308147715' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-106017274584398078</id><published>2003-08-06T05:25:00.000-07:00</published><updated>2003-08-08T03:55:24.823-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>V.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela página nº 4 do Suplemento DNA, nº 348, de 2 de Agosto, ficou o País informado de que o jornalista Pedro Rolo Duarte, numa quinta-feira, sozinho em casa, jantou lulas à sevilhana congeladas, da firma Pescanova. Como exemplo de umbigada, é difícil encontrar melhor.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-106017274584398078?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106017274584398078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106017274584398078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_08_01_archive.html#106017274584398078' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-106007189822296502</id><published>2003-08-05T01:24:00.000-07:00</published><updated>2003-08-05T08:59:13.250-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>IV.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Como diria EPC, que em breve esperamos contemplar, os textos do Grande Arquitecto são marcados por uma lógica discursiva desarmante na sua linearidade binária. Para escrever um texto como o Grande Arquitecto, precisa apenas de misturar com água, com muita água, os seguintes ingredientes: &lt;br /&gt;1º - maniqueísmo: contrapor, a golpes de frase curta (e uma frase/um parágrafo), duas realidades, de preferência inesperadas (o &lt;em&gt;locus classicus&lt;/em&gt; nesta matéria é a inesquecível crónica de António Pinto Leite no «Semanário» dos anos 80 com o título «Eanes e Stéphanie», ainda hoje analisada, sem sucesso, nas melhores escolas monegascas de ciência política e de jornalismo); &lt;br /&gt;2º - umbigo: tropo literário que se caracteriza pelo uso frequente de expressões do tipo «como já escrevemos nesta coluna...», «há dois meses, dizia...» (= «é triste ter razão antes do tempo» ou «oh, o que custa, rapazes, ser um visionário neste adormecido Portugal!» ou ainda «tenho este ar permanentemente chateado não por causa de ser hirsuto que nem um cacheiro e possuir sobrancelha única, mas porque ninguém dá ouvidos à clarividência dos meus avisos»); &lt;br /&gt;3º - remate - o texto deve terminar com uma frase que dê o ar que se está perante um esmagador tratado de lógica, ou seja, que não se trata de uma opinião pessoal do Grande Arquitecto mas antes de uma conclusão extraída através de processos dedutivos usados nas mais selectas escolas austríacas e inglesas de filosofia analítica. Uma conclusão que, modesto, o Grande Arquitecto se limita a anunciar &lt;em&gt;urbi et orbi&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo prático. Exercício nº 1: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Siameses&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A semana que passou foi marcada por dois grandes acontecimentos. &lt;br /&gt;Em Singapura, a operação de separação das gémeas iranianas fracassou. &lt;br /&gt;Em Portugal, continuou a falar-se da possível candidatura a Belém de Mário Soares e Cavaco Silva. &lt;br /&gt;Ora, como tenho defendido nesta coluna, considero que Soares e Cavaco são gémeos falsos. &lt;br /&gt;Não são gémeos siameses. &lt;br /&gt;Cavaco é filho de um gasolineiro de Boliqueime.&lt;br /&gt;Soares é filho de um ministro da I República que se converteu em pedagogo e fez um &lt;em&gt;Atlas Geográfico Universal&lt;/em&gt; que teve, pelo menos, 23 edições.&lt;br /&gt;Cavaco estudou em Inglaterra. &lt;br /&gt;Soares ensinou em França.&lt;br /&gt;Cavaco gosta de trepar em coqueiros.&lt;br /&gt;Soares gosta de montar tartarugas.  &lt;br /&gt;Cavaco é um asceta.  &lt;br /&gt;Soares é um sibarita. &lt;br /&gt;Cavaco é um cara-de-pau.&lt;br /&gt;Soares é um cara-de-bolacha.&lt;br /&gt;Cavaco gosta de bolo-rei.&lt;br /&gt;Soares gosta de ser o rei do bolo.&lt;br /&gt;Cavaco escreveu a sua própria biografia (e saiu uma bela merda). &lt;br /&gt;Soares preferiu escrevê-la através de uma idiota útil que meteu perguntas simuladas pelo meio e no final assinou o nome.&lt;br /&gt;Cavaco é magro.&lt;br /&gt;Soares é gordo.&lt;br /&gt;É por isso que, como tenho sustentado nesta coluna, Cavaco Silva e Mário Soares não são irmãos siameses. E, como não são siameses, não precisam de ir a Singapura. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-106007189822296502?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106007189822296502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/106007189822296502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_08_01_archive.html#106007189822296502' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-10597369827230932</id><published>2003-08-01T04:23:00.000-07:00</published><updated>2003-08-05T08:59:47.923-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>III.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora um fragmento da desconhecida revista &lt;em&gt;New Yorker&lt;/em&gt; para inspirar a nossa bióloga mais que tudo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Portuguese ducks (e.g. patós) don't read American sophisticated magazines, so I can copiate like a pig (e.g. copiar que nem uma porca) without being topped (e.g. sem ser topada). Until the day... (e.g. até ao dia...). But while the sticks goes and comes, the back is having fun (e.g. mas enquanto o pau vai e vem, folgam as costas). Back with tatoos (e.g. costas com tatuagens)» (&lt;em&gt;New Yorker&lt;/em&gt;, June 30, 2003, United States $ 3.95, Canada/Foreign, $ 4.95, abstracts available in Portuguese in &lt;em&gt;Visão&lt;/em&gt;, Lisbon, 2003, € 2).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-10597369827230932?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/10597369827230932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/10597369827230932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_08_01_archive.html#10597369827230932' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-105958651125115132</id><published>2003-07-30T10:35:00.000-07:00</published><updated>2003-08-12T02:43:55.260-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>II.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os habituais editoriais de um suplemento &lt;em&gt;light&lt;/em&gt; de um jornal de grande expansão. Mais um trabalho da competente jornalista que o grande público, sempre injusto, conhece como «aquela-que-foi-mulher-ou-viveu-com-o-Miguel-Sousa-Tavares». A &lt;em&gt;New Age&lt;/em&gt; no seu melhor. Porque a solidariedade ainda existe. E com tempo para umas comprinhas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Editorial&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No passado fim-de-semana, teve lugar em Sintra mais um encontro anual da Cabacinha-Associação dos Pais e Amigos das Crianças Sem Cabeça. Desde há muito que me convidam para dizer umas palavras nestas reuniões da Cabacinha e saio de lá todos os anos fascinada com a alquimia que nasce numa plateia de crianças sem cabeça, os amigos delas, e os pais também. &lt;br /&gt;Com a tremenda falta de apoios do Estado, não é fácil em Portugal ser pai de uma criança sem cabeça. Pior mesmo é ser uma criança sem cabeça, mas essa não nota. Os muitos pais que me escrevem e procuram (e a quem sou incapaz de dizer “não”) contam-me histórias assustadoras de discriminação e falta de afectos. Falei longamente com eles, tentei gracejar sem êxito dizendo que já deviam estar de cabeça perdida, mas fui incapaz de vencer o amargo desencanto que vi estampado nos rostos de alguns pais de crianças sem cabeça. Há excepções, claro. Algumas crianças sem cabeça são histórias de sucesso: conheço quatro que se licenciaram e têm os seus empregos (em circos) e uma delas, o João, está a fazer o MBA em Londres. A Cabacinha é mais um exemplo de como, mesmo sem subsídios, é possível construir uma vida melhor. Só é preciso acreditar. &lt;em&gt;Carpe Diem&lt;/em&gt;. Os pais dizem-me que têm aproveitado para poupar naquilo que não precisam para os seus filhos (óculos, auriculares, bonés, chapéus, bandeletes) e estão a angariar fundos para construir a nova sede da Cabacinha. A Câmara de Loures já cedeu o terreno. Se puder, não deixe de dar o seu contributo.&lt;br /&gt;Nas páginas desta revista, encontrará o depoimento de uma criança sem cabeça. E ainda, como sempre, artigos &lt;em&gt;light&lt;/em&gt; «para gajas»: um sobre &lt;em&gt;feng-shui&lt;/em&gt; e a importância dos fluidos das pedras nas salas de estar, um texto maravilhoso com o título «A tranquilidade interior» e as nossas inevitáveis sugestões de compras e presentes acima de € 500. Espero que goste de mais este número que preparámos para si.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-105958651125115132?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/105958651125115132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/105958651125115132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_07_01_archive.html#105958651125115132' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5630022.post-105958427424427914</id><published>2003-07-30T09:57:00.000-07:00</published><updated>2003-08-05T09:02:01.790-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>I.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A melhor sociedade lisbonense anda fascinada com os famosos «textos lindíssimos» de JBC. Para aqueles, muitos, que não querem esperar pelo «Público» com mais um «texto lindíssimo» de JBC, aqui vai um «texto lindíssimo» de JBC. Chama-se &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Amor mundi&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Na curva do caminho para Vestalli há uma pequena abadia, longe da estrada e dos guias turísticos. Entro devagar na solidão da capela, em busca do que há muito os meus olhos perseguiam. Lá estava, não longe do altar-mor, a pequena maravilha que nas longas tardes da meninice contemplei reproduzida no álbum de gravuras que existia em casa dos meus avós. &lt;em&gt;La Donna e la Ragazza&lt;/em&gt;, de Calippo Calimero, uma alegoria das idades da vida, dava-se agora diante de mim, na penumbra do altar-mor de uma abadia lombarda de que nem sabia o nome. Ali fiquei, olhando longamente o delicado traço do colo da senhora desconhecida que Calimero pintou &lt;em&gt;circa&lt;/em&gt; 1556.   &lt;br /&gt;Saio para fumar um cigarro agnóstico e deixo que os meus passos me conduzam pela alameda de ciprestes que leva ao antigo refeitório dos monges. Os ciprestes despertam os mortos adormecidos que trago comigo. Nessas alturas, penso sempre em Guicciardini, um florentino dos &lt;em&gt;Orto Oricellari&lt;/em&gt;: «É um facto notório que iremos morrer. No entanto, vivemos como se fôssemos viver para sempre». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Na &lt;em&gt;piazzeta&lt;/em&gt; de Vestalli, folheio os jornais do dia, que um turista alemão ali deixou por desleixo. Ou seria o destino a anunciar-me que na véspera morrera Katherine Hepburn? Deixo deslizar os meus dedos pelo jornal, passando as mãos no rosto anguloso da rainha africana da minha juventude, senhora muito lá de casa e de todos os meus tempos. «Entre a Audrey e a Katherine &lt;em&gt;mon coeur balance&lt;/em&gt;», dizia-me o António Alçada, com os seus olhos travessos, numa tarde de chuva miudinha à porta da Moraes. Uma tarde em que a Helena e o Alberto ainda discutiam como reagir ao «caso» do Béjart. Pouco dado a artes de palco, eu nem sabia bem quem era o Béjart. Encontrei-o anos depois, num festival de cinema nas Molucas, e, quando lhe confessei a vergonha que na altura tive de ser português, confessou-me que já nem se lembrava do salazarento incidente. Mas eu lembro-me de tudo o que não vimos e ouvimos nesses anos em que éramos muito novos e  muito felizes. No tempo que  me resta, terei dias para me vingar daqueles que furaram os meus olhos? &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3. Deixo Vestalli e estes pensamentos edipianos. A patroa espera-me na hospedaria onde sempre me alojo e oferece-me uma &lt;em&gt;pasta&lt;/em&gt; divina, que acompanho a golpes de Chianti e cigarradas. Preciso manter esta voz cava de barítono que constitui uma das minhas imagens de marca. O afilhado da &lt;em&gt;mamma&lt;/em&gt;, cinéfilo impenitente como já restam poucos, espécie em vias de extinção incapaz de se render à tirania do vídeo e do digital, queria falar comigo sobre a textura da luz branca do último Oliveira. O Amaretto di Saronno, porém, toldava-me o espírito e preferi ir para o quarto, tentando conciliar o sono e a música dos sonetos de Petrarca que sempre me acompanham nestas jornadas italianas. No tecto do quarto, uma antiga cela beneditina, projectavam-se sombras buxuleantes e perfis ocultos, como num filme de Murnau. Seria já o sonho que, numa fábula onírica de gosto duvidoso, reflectia nas traves o perfil rubicundo da minha calva? Procurei dormir. Na vigília, acorreram-me à memória as palavras de Lampedusa de &lt;em&gt;Il Gattopardo&lt;/em&gt;: «Il sonno..., il sonno è ciò chie i siciliano vogliono». Com as sombras expressionistas no tecto do quarto, continuei às voltas e reviravoltas na cama áspera da cela beneditina. &lt;em&gt;Corsi i ricorsi&lt;/em&gt; de um mamute congelado nos anos sessenta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	4. Se houve um Deus católico em Auschwitz, era um católico não praticante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5630022-105958427424427914?l=oteuumbigo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/105958427424427914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5630022/posts/default/105958427424427914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oteuumbigo.blogspot.com/2003_07_01_archive.html#105958427424427914' title=''/><author><name>pastiches</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04761800791238499717</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
